Jair Bolsonaro, presidente de índole neofascista eleito graças ao golpe que destituiu a presidente Dilma Rousseff em 2016 e depois impediu Lula de concorrer na eleição de 2018, pediu hoje ajuda ao beneficiário principal daquela ruptura institucional, o ex-presidente Michel Temer.
Temer, que dividiu com Eduardo Cunha o protagonismo do golpe que foi o ato inaugural da crise que trouxe o Brasil à situação trágica de hoje, escreveu para Bolsonaro uma nota cuja intençao é fazer com que ele pareça sensato, sereno e subordinado aos princípios democráticos que, desde que tomou posse, vem desrespeitando quase diariamente, em repetidos gestos e manifestações. Temer admitiu à CNN que é o autor da nota. Ele também disse à emissora que, antes de distribuir a nota à Nação, Bolsonaro conversou com Moraes por telefone.
A manifestação assinada por Bolsonaro é um simulacro de recuo em relação às agressões cometidas contra o STF e o ministro Alexandre de Moraes nos atos antidemocráticos de 7 de setembro, que o atual presidente passou dois meses convocando e insuflando.
Eis a nota emitida depois do encontro de Bolsonaro com Temer, que tem o ex-presidente golpista como ‘ghost writer’:
“Declaração à Nação
No instante em que o país se encontra dividido entre instituições é meu dever, como Presidente da República, vir a público para dizer:
1. Nunca tive nenhuma intenção de agredir quaisquer dos Poderes. A harmonia entre eles não é vontade minha, mas determinação constitucional que todos, sem exceção, devem respeitar.
2. Sei que boa parte dessas divergências decorrem de conflitos de entendimento acerca das decisões adotadas pelo Ministro Alexandre de Moraes no âmbito do inquérito das fake news.
3. Mas na vida pública as pessoas que exercem o poder, não têm o direito de “esticar a corda”, a ponto de prejudicar a vida dos brasileiros e sua economia.
4. Por isso quero declarar que minhas palavras, por vezes contundentes, decorreram do calor do momento e dos embates que sempre visaram o bem comum.
5. Em que pesem suas qualidades como jurista e professor, existem naturais divergências em algumas decisões do Ministro Alexandre de Moraes.
6. Sendo assim, essas questões devem ser resolvidas por medidas judiciais que serão tomadas de forma a assegurar a observância dos direitos e garantias fundamentais previsto no Art 5º da Constituição Federal.
7. Reitero meu respeito pelas instituições da República, forças motoras que ajudam a governar o país.
8. Democracia é isso: Executivo, Legislativo e Judiciário trabalhando juntos em favor do povo e todos respeitando a Constituição.
9. Sempre estive disposto a manter diálogo permanente com os demais Poderes pela manutenção da harmonia e independência entre eles.
10. Finalmente, quero registrar e agradecer o extraordinário apoio do povo brasileiro, com quem alinho meus princípios e valores, e conduzo os destinos do nosso Brasil.
DEUS, PÁTRIA, FAMÍLIA
Jair Bolsonaro
Presidente da República federativa do Brasil”.






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