A ministra Simone Tebet (MDB-MS), do Planejamento e Orçamento, barrou os planos do presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Márcio Pochmann, de mudar o sistema de divulgação dos resultados das pesquisas realizadas pelo Instituto.
Segundo auxiliares da ministra, Tebet cobrou, diretamente, explicações do economista e ficou acertado que não haverá mudanças nesse ponto. Assim, os dados continuarão sendo apresentados em entrevistas à imprensa, como ocorre hoje. O IBGE é subordinado ao Planejamento.
Procurada, a ministra não quis se manifestar. O IBGE disse que Pochmann não comentaria o assunto.
Márcio Pochmann disse anteriormente, em palestra a funcionários do IBGE, que pretendia alterar o modelo de divulgação de pesquisas do instituto.
— A comunicação do passado era aquela que o IBGE produzia as informações e os dados, fazia uma coletiva (imprensa) e transferia a responsabilidade para o grande público através dos meios de comunicação tradicional. Isso ficou para trás — afirmou ele, em outubro.
Tebet prefere o silêncio para evitar desgastes com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Pochmann foi uma escolha pessoal do presidente e, diante disso, a ministra não teve como recusar.
Desde o início do processo de indicação, auxiliares da ministra já se queixavam do nome por conta principalmente do seu histórico no Ipea, onde foi presidente e teve uma gestão acusada de perseguição ideológica.
O IBGE é uma instituição crucial para o desenho das políticas econômicas — além do Censo Demográfico, compila também os dados de inflação e crescimento do PIB, entre outras estatísticas relevantes.
A fala de Pochmann sobre a comunicação do IBGE causou apreensão dentro do Ministério do Planejamento, e no quadro de funcionários do Instituto.
Em artigo publicado no Globo no último dia 12, a ex-diretora de pesquisas do IBGE, Martha Mayer, integrante da Comissão Consultiva do Censo Demográfico, também demonstrou preocupação com a fala do Pochmann que disse que a produção estatística do IBGE tinha muita influência de países do Ocidente.
“Ele citou avanços na China. Em agosto, a China suspendeu a divulgação das estatísticas do desemprego juvenil, na linha dados ruins não se divulgam. Não é exemplo a seguir”, disse Mayer.
Com informações de O Globo.





