O vice-presidente eleito, Geraldo Alckmin, recebeu nesta tarde do presidente em exercício do Tribunal de Contas da União, Bruno Dantas, uma série de documentos com diagnósticos sobre a máquina pública. São a Lista de Alto Risco da Administração Pública, o Relatório de Fiscalização de Políticas Públicas de 2021, o Parecer Prévio sobre Contas do Presidente da República de 2021 e o texto “TCU e o Desenvolvimento Nacional”
“Todos esses relatórios consolidam informações que já foram julgadas pelo plenário. O que estamos fazendo e faremos ao longo das próximas semanas são atualizações que a equipe de transição pedir, para auxiliar no funcionamento do próximo governo”, explicou Dantas.
O Tribunal de Contas compartilhou ainda outros dois materiais com a transição de governo: o relatório sobre a auditoria que fez nas urnas eletrônicas e um panorama elaborado pelo Tribunal sobre as políticas climáticas adotadas no Brasil, comparativamente à atuação de outros países.
A Lista de Alto Risco da Administração Pública, entre em junho pelo TCU ao Congresso, considera programas, ações e políticas de alto risco para o país por apresentarem vulnerabilidade à fraude, desperdício, abuso de autoridade, má gestão ou necessidade de mudanças profundas para que os objetivos das políticas públicas possam ser cumpridos.
“O que não é avaliado, mensurado, não é bem gerido. É muito importante ter todos esses números, avaliações, começando pela Lista de Alto Risco. Aqui, tem como entrar na lista e como sair. Vamos nos ater muito em como não entrar e como sair”, disse Alckmin.
Essa primeira versão da lista foi elaborada a partir de trabalhos realizados pelas unidades técnicas do tribunal nos últimos cinco anos.
“Um dos pontos que nós destacamos é uma necessidade urgente para se estabelecer critérios para as isenções tributárias. O Brasil possui mais de 4% do seu PIB comprometido com isenções tributárias, mais do que o dobro quando o presidente Lula assumiu pela primeira vez”, comparou Dantas.
Quando se concede uma isenção fiscal ou tributária a um segmento da sociedade, a arrecadação do governo federal diminui.
“Evidentemente num quadro de crise fiscal, é um dinheiro que faz muita falta”, completou Dantas.
As 29 áreas consideradas de alto risco são:
Conformidade dos pagamentos de pessoal e benefícios sociais
Tempestividade e focalização dos benefícios assistenciais
Gestão de benefícios administrados pelo INSS
Cumprimento das regras fiscais
Transparência e efetividade das renúncias tributárias
Credibilidade das informações do Sistema Tributário Federal
Eficiência da cobrança e do contencioso tributários
Desenvolvimento regional
Efetividade das políticas públicas de inovação
Sustentabilidade tarifária de energia elétrica
Sustentabilidade do suprimento de energia elétrica
Segurança hídrica
Sustentabilidade do mercado de refino, derivados e gás
Sustentabilidade empresarial, investimentos e integridade da Petrobras
Transparência dos dados e das informações sobre políticas de infraestrutura urbana
Gestão das obras paralisadas
Planejamento e priorização da integração multimodal nos transportes
Regulação e fiscalização dos transportes rodoviário e ferroviário
Estruturação da Agência Nacional de Mineração
Atuação da Codevasf na execução de recursos originados de emendas parlamentares
Efetividade dos compromissos acordados com a Anatel em instrumentos regulatórios
Gestão do patrimônio imobiliário público federal
Qualidade, compartilhamento e transparência dos dados governamentais
Segurança da informação e segurança cibernética
Controle do desmatamento ilegal
Governança territorial e fundiária
Sistema Único de Saúde: acesso e sustentabilidade
Equidade no acesso à educação
Gestão e integridade nas contratações públicas
Bruno Dantas também anunciou que o TCU deve concluir nas próximas semanas a “avaliação mais completa que já fizemos do programa Auxílio Brasil”.
O material, segundo o ministro, deve incluir uma comparação com o programa anterior, o Bolsa Família, que Lula pretende retomar.
“Algumas das conclusões que os auditores estão finalizando são de que o Auxílio Brasil tem incentivado o fracionamento de núcleos familiares, o que prejudica famílias que não podem ser decompostas. Pretendemos levar essas conclusões para julgamento nas próximas semanas. Pedirei prioridade ao relator”, disse.






Uma resposta para “TCU entrega a Alckmin relatórios sobre Governo Bolsonaro e anuncia avaliação do Auxílio Brasil”