‘Taxa das blusinhas’ reduziu importações em 43%, diz estudo

Levantamento da LCA Consultoria mostra que o imposto penalizou consumidores de baixa renda e teve pouco efeito sobre o mercado de trabalho

Desde que entrou em vigor, no ano passado, a chamada “taxa das blusinhas” derrubou em 43% o volume de importações realizadas por plataformas internacionais de e-commerce. O dado faz parte de um estudo da LCA Consultoria, encomendado pela Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec), que será apresentado nesta terça-feira (28) na Câmara dos Deputados.

O levantamento mostra que, embora o imposto tenha atingido seu objetivo inicial de reduzir o volume de compras em sites estrangeiros, o impacto econômico foi concentrado nos consumidores de menor renda, sem reflexos positivos na geração de emprego e renda no país.

Segundo a LCA, a política acabou se mostrando ineficiente para estimular o varejo nacional e injusta do ponto de vista tributário, ao aumentar os preços de produtos básicos importados por brasileiros das classes C, D e E.

Taxa das blusinhas e o impacto sobre o consumo

A taxa foi reintroduzida em meados de 2024, após forte pressão de varejistas brasileiros que alegavam concorrência desleal com plataformas estrangeiras. O imposto de importação (II) de 20% voltou a incidir sobre compras de até US$ 50 — faixa que estava isenta desde 2023 com a criação do Programa Remessa Conforme, da Receita Federal.

Desde 1º de agosto de 2024, todas as remessas internacionais passaram a ser tributadas com o imposto federal de 20% e o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), cobrado pelos estados, que varia entre 17% e 20%.

Na prática, isso fez com que o preço final de muitos produtos populares, como roupas, acessórios e eletrônicos de pequeno valor, subisse até 40%, levando a uma retração expressiva nas compras on-line de sites estrangeiros.

Emprego e renda ficaram estagnados

Apesar da queda nas importações, o estudo mostra que o desempenho do mercado de trabalho nos setores supostamente beneficiados pela medida não apresentou melhora. O crescimento do emprego no varejo e na indústria ligados à política foi de apenas 0,97% nos 12 meses após a reintrodução da taxa — abaixo da média nacional, que cresceu 3,04% no mesmo período.

O levantamento também indica que cerca de 70% da arrecadação gerada pela nova taxa veio de consumidores das classes C, D e E. Esses grupos foram os mais impactados, já que o peso do imposto sobre a renda disponível é proporcionalmente maior, configurando o que a LCA classificou como “tributação regressiva”.

Carga tributária brasileira é uma das maiores da região

O Brasil passou a ter uma das mais altas tributações sobre pequenas importações na América Latina. Enquanto o país cobra 20% de imposto de importação e até 20% de ICMS, países como Argentina e Chile isentam o imposto federal e aplicam apenas o tributo sobre consumo. Já Colômbia e Peru isentam ambos os impostos, mantendo o foco em estimular o comércio digital.

Para o diretor da LCA Consultoria, Eric Brasil, o modelo brasileiro caminha na contramão das boas práticas internacionais. Segundo ele, países desenvolvidos e de renda média adotam um sistema mais equilibrado, que combina isenção do imposto de importação para pequenas remessas com cobrança uniforme de impostos sobre consumo.

Deixe um comentário

Mais recentes

Descubra mais sobre Agenda do Poder

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading