Tarcísio se movimenta nos bastidores e já planeja candidatura ao Planalto em 2026 com vice ‘dos sonhos’ do Centrão

Mesmo repetindo que disputará a reeleição em São Paulo, governador articula alianças e discute cenários com políticos e empresários

A quinze meses da eleição presidencial, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), já atua como pré-candidato à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, informa o colunista Lauro Jardim, do GLOBO. Ainda que publicamente negue qualquer intenção de concorrer ao Planalto, nos bastidores o ex-ministro da Infraestrutura de Jair Bolsonaro tem discutido alianças estratégicas e possíveis configurações de chapa para 2026.

Em conversas reservadas com políticos influentes e empresários de peso, Tarcísio avalia os cenários eleitorais e as alianças necessárias para viabilizar uma candidatura competitiva. Segundo interlocutores, ele tem consciência de que sua viabilidade nacional depende, em grande parte, de uma composição com o Centrão e do aval definitivo do ex-presidente Jair Bolsonaro.

O Centrão, bloco de partidos que hoje sustenta parte do poder em Brasília e tem forte influência no Congresso, já trabalha com a hipótese de Tarcísio ser o candidato do campo bolsonarista. A avaliação é de que ele reúne o perfil técnico, a aprovação no maior colégio eleitoral do país e a confiança do ex-presidente.

Em troca, o grupo deseja indicar o vice na chapa presidencial. O nome mais citado nos bastidores é o do senador Ciro Nogueira (PP-PI), ex-ministro da Casa Civil de Bolsonaro e figura central na engrenagem do Centrão. Ainda assim, qualquer indicação de Bolsonaro será acatada sem resistência, mesmo que envolva nomes como Michelle Bolsonaro ou um de seus filhos.

Um dos líderes do Centrão resume a equação:

— Vamos resolver isso no fim do ano. Se o Bolsonaro não se definir até lá é porque o candidato dele a presidente será o Flávio (Bolsonaro).

Inelegível após ser condenado pelo Tribunal Superior Eleitoral, Bolsonaro é hoje o principal fiador de uma candidatura da direita à Presidência. Seu apoio é visto como essencial para unificar o campo conservador e garantir uma base sólida de votos.

Tarcísio aparece como o nome mais viável para sucedê-lo, mas sua ascensão depende da disposição de Bolsonaro em endossá-lo de forma inequívoca. Em caso de hesitação, cresce a possibilidade de que o ex-presidente tente emplacar alguém de sua família — como Michelle ou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

O segundo semestre de 2025 será decisivo. É quando se espera que Bolsonaro aponte seu sucessor e, com isso, defina o xadrez da direita para 2026. Até lá, Tarcísio seguirá costurando apoios nos bastidores, reforçando sua imagem de gestor e mantendo o discurso de que é candidato apenas à reeleição em São Paulo.

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