O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), cancelou a visita que faria nesta quinta-feira ao ex-presidente Jair Bolsonaro, preso no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, após avaliar que o encontro poderia se transformar em um gesto político de compromisso com a campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A decisão, segundo aliados, buscou evitar pressões para um engajamento mais explícito do governador na estratégia eleitoral do clã Bolsonaro, informa O Globo.
Nos bastidores, a avaliação é de que a visita, inicialmente tratada como um gesto de solidariedade pessoal, ganhou contornos eleitorais depois de declarações públicas de Flávio antecipando o teor da conversa. A justificativa formal apresentada por Tarcísio foi a existência de compromissos em São Paulo, que não chegaram a ser detalhados.
Declaração de Flávio acendeu alerta
A visita havia sido solicitada pela defesa de Jair Bolsonaro e autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Seria o primeiro encontro entre os dois desde a prisão do ex-presidente, no fim de novembro, e também após Bolsonaro indicar Flávio como seu pré-candidato ao Planalto, em dezembro.
O sinal de alerta para o governador acendeu quando Flávio afirmou que o pai reforçaria a necessidade de Tarcísio focar na reeleição em São Paulo, descartando qualquer projeto presidencial para ele. A fala irritou o entorno do governador, que ainda mantém aberta a possibilidade de disputar a Presidência em 2026.
Risco de “enquadramento” político
Apesar de já ter declarado apoio ao senador, Tarcísio passou a enxergar o encontro como um risco político. Aliados avaliam que ele poderia ser cobrado a “entrar de cabeça” na campanha de Flávio, assumindo um papel subordinado na estratégia da família Bolsonaro.
Segundo interlocutores, o governador não gosta de ser pressionado e preferiu recuar a ser publicamente enquadrado. O cancelamento foi visto com estranhamento por aliados do bolsonarismo e até por lideranças do Centrão, que classificaram a decisão como incomum.
Estratégia é ganhar tempo
A orientação de Tarcísio, de acordo com pessoas próximas, é não fechar portas nem assumir novos compromissos agora. A estratégia é empurrar qualquer definição sobre o grau de envolvimento na eleição presidencial para abril, quando o cenário político estiver mais claro.
O contexto interno do bolsonarismo também pesa. Nas últimas semanas, a atuação de Michelle Bolsonaro junto ao STF, em busca de prisão domiciliar para o ex-presidente, aprofundou disputas internas. Nesse ambiente, gestos de Tarcísio passaram a ser interpretados como sinais de alinhamento ou resistência dentro do campo da direita.
Cancelamento evita atrito direto
Aliados avaliam que a declaração de Flávio criou uma armadilha política para o governador: se fosse à Papudinha, seria visto como aderindo à estratégia do clã; se contestasse publicamente, entraria em choque direto com o núcleo bolsonarista. O cancelamento, portanto, foi a saída para evitar o desgaste imediato e adiar uma definição mais clara sobre seu papel em 2026.






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