Se você acordou hoje com a garganta parecendo que engoliu granito e a voz, um trovão quebrado, parabéns: você está vivendo o auge da “moda da tosse” no Rio. Parece que baixaram algum edital secreto distribuindo um irrite-garganta para a população, porque a cidade inteira anda pigarreando e tossindo como um coral desafinado.
Mas calma, a banda não desafinou: é que a poluição pegou o microfone e não larga mais. O Índice de Qualidade do Ar varia entre 58 e 67, o que é considerado “moderado” segundo padrões internacionais. Traduzindo: não é nenhuma emergência, mas dá pra sentir aquela coceirinha na garganta só de dar um gole d’água.
E, claro, não bastasse o ar caprichar em irritar nossas mucosas, entramos oficialmente na temporada da Gripite Carioca™, aquela virose democrática que ataca do Leblon a Madureira, com direito a tosse seca, voz embargada e uma pitada de congestão nasal.
Segundo a Fiocruz, os casos de síndrome respiratória já estão 30% acima dos registrados no mesmo período do ano passado. A gripite™, meus amigos, virou personagem principal de série da Netflix!
Mas nada de entrar em pânico por uma suposta epidemia urbanoapocalíptica, mas o combo ar moderadamente poluído, clima seco, alergias e gripe significa que a tosse hoje virou quase uniforme no Rio. A boa notícia é que, com hidratação, repouso vocal e cuidado com o ar, você pode emergir desse marasmo de pigarros intacto.

O vilão sorrateiro
O Rio não é só praia, é também casa com mofo. A umidade alta favorece fungos, ácaros e outros visitantes indesejáveis em colchões e travesseiro que raramente as pessoas substituem nas datas recomendadas. Resultado? A tosse alérgica grita alto. E alergias sazonais combinadas com poluição causam aquele combo clássico: garganta inflamada, coceira ocular e uma voz de quem acabou de fumar dois maços de Marlboro vermelho sem tomar um golinho de água.
Inverno carioca: clima seco e orquestra de espirros
Esse friozinho seco resseca as mucosas e facilita a proliferação de vírus. E, enquanto você coloca meias no pé, o sistema respiratório começa a fazer um verdadeiro remix de pigarros e vozes embargadas — afinal, mucosas ressecadas são o tapete vermelho dos vírus respiratórios.

Poluição na medida certa para arranhar a garganta
Enquanto a maioria das pessoas acham que só uma fumaça densa ataque suas gargantas, o Rio entrega um ar “moderado” com PM2.5 (um tipo de poluição do ar composta por partículas sólidas e líquidas suspensas na atmosfera) em torno de 18 µg/m³ e PM10 (partículas inaláveis) na casa dos 37 µg/m³ (micrograma por metro cúbico).
Traduzindo para os leigos, a qualidade do ar não é visível, mas sua traqueia sente. E você nem precisa ser muito sensível. Estudos indicam que níveis moderados favorecem irritação e tosse, sobretudo em pessoas com alergia ou problemas respiratórios. Ou seja, muita gente vai acabar tossindo no elevador.
A influenza lidera o samba
Segundo um boletim da Fiocruz divulgado em 12 de junho, em 2025 já foram notificados 93.779 casos de síndrome respiratória aguda grave, conhecida pela sigla SRAG, sendo 47.343 (50,5%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 32.264 (34,4%) negativos, e ao menos 7.893 (8,4%) ainda aguardando resultado laboratorial.
Entre os casos positivos do ano corrente, 24,5% são influenza A; 1,1% são influenza B; 45,1% são VSR; 22,3% são rinovírus; e 9,9% são Sars-CoV-2 (Covid-19). Dados de positividade para semanas recentes estão sujeitos a grandes alterações em atualizações seguintes por conta do fluxo de notificação de casos e inserção do resultado laboratorial associado. Entre os óbitos, a presença destes mesmos vírus entre os positivos nesse mesmo período foi de 75,4% para influenza A; 1% para influenza B; 12,5% para VSR; 8,7% para rinovírus; e 4,4% de Sars-CoV-2 (Covid-19).
Quem sofre mais?
Os números da Fiocruz não mentem: crianças e idosos seguem sendo os mais afetados. Entre os pequenos há um aumento de casos de Vírus Sincicial Respiratório (VSR) um vírus respiratório comum que geralmente causa sintomas leves e semelhantes ao resfriado, mas que trazem pra casa um repertório completo de tosses.
Enquanto isso, nossos queridos adultos prateados experimentam o repertório da voz de gravação cansada, que se resolve caso respeitemos o repouso, e a hidratação.
O que fazer?
Antes de sua voz ficar parecida com a de cantores como Elza Soares ou Tom Waits, é hora de investir em banhos de vapor, muita água e chás com mel para aliviar irritações. Já em casa, o ideal é manter o ambiente ventilado, mas sem exagerar no janelão escancarado.
Limpar superfícies evita mofo e reduz partículas. Para os mais hipocondríacos, um bom purificador de ar com filtro Hepa é um santo remédio para a sua garganta. No mercado a versões disponíveis para todos os bolsos.


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