O homem suspeito de ter assassinado a deputada democrata Melissa Hortman e seu marido, Mark Hortman, foi capturado neste domingo (15) após uma caçada de 43 horas que mobilizou centenas de agentes em Minnesota, informa Jamil Chade em sua coluna no portal UOL. Vance Boelter, de 57 anos, foi encontrado armado, usando um uniforme policial falso e portando um caderno com cerca de 70 nomes de possíveis alvos, incluindo políticos, defensores de direitos humanos e funcionários de clínicas de aborto.
Segundo autoridades, Boelter é o principal responsável por um ataque ocorrido entre a noite de sexta-feira (13) e a madrugada de sábado, que também deixou feridos o senador estadual John A. Hoffman e sua esposa. O senador sobreviveu. A ação, considerada um ataque político, aumentou a tensão já elevada em um país marcado pela polarização ideológica e por crescentes ameaças de violência contra autoridades.
A busca por Boelter mobilizou a maior operação da história recente de Minnesota, com 20 equipes da SWAT envolvidas. A captura aconteceu na zona rural de Green Isle, uma hora distante do local dos crimes e próximo à residência do suspeito. Segundo o tenente-coronel Jeremy Geiger, da Patrulha Estadual, Boelter foi detido sem o uso de força, após ter sido visto fugindo para um bosque.
A localização de seu carro foi determinante para o desfecho da operação. Dentro do veículo, a polícia encontrou uma pistola 9 mm, três fuzis AK-47 e uma lista de alvos com endereços. Promotores o acusaram formalmente por assassinato em segundo grau. As autoridades acreditam que ele agiu sozinho.
A presidente da Câmara de Minnesota, Lisa Demuth, expressou alívio diante da prisão. “Sou grata por esse pesadelo ter chegado ao fim com a captura do suspeito para que ele possa ser acusado, processado e punido pelo horror que causou”, afirmou.
Clínicas de aborto sob ameaça
O caderno encontrado com Boelter surpreendeu a polícia ao revelar que seus alvos iam além do meio político. Clínicas de aborto, médicos e funcionários da saúde reprodutiva estavam entre os nomes listados. Diante disso, entidades de defesa da saúde das mulheres reforçaram medidas de segurança.
“É inaceitável que as pessoas de nossa comunidade de obstetras e ginecologistas tenham que trabalhar e viver com medo como resultado da prestação de cuidados essenciais de saúde reprodutiva”, declarou o American College of Obstetricians and Gynecologists.
A organização Planned Parenthood North Central States, que administra clínicas em toda a região, anunciou que está cooperando com as forças de segurança para proteger suas instalações. “Nossas portas permanecerão abertas”, garantiu Ruth Richardson, presidente da entidade.
Filha da deputada ajudou a salvar vidas
O governador Tim Walz, também ex-candidato a vice-presidente na chapa de Kamala Harris, revelou que a filha de Melissa Hortman teve papel essencial no desfecho do caso. “Ela salvou inúmeras vidas ao ligar para a polícia enquanto os pais estavam sendo atacados”, afirmou.
Walz também aproveitou o momento para criticar a retórica violenta e os discursos que inflamam a base política mais radical. Sem citar diretamente Donald Trump, o governador fez um apelo por reconciliação. “Vemos a violência emergir em nosso país. Isso não pode ser a forma de lidar com nossas diferenças. Falem com seus vizinhos, e não briguem. Deem as mãos”, disse. “O país precisa lidar com suas feridas”, concluiu. Enquanto a investigação avança, o senador baleado John A. Hoffman segue internado em recuperação.
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