Zhaohu Qiu, comerciante de origem chinesa suspeito de matar a jovem Marcelle Júlia Araújo da Silva, prestou depoimento nesta terça-feira (17) à Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) no Rio de Janeiro. Segundo informações do g1, ele foi preso no município de Carapicuíba, na Região Metropolitana de São Paulo, e transferido de volta ao Rio em uma viatura policial, chegando à unidade especializada por volta das 23h.
A Polícia Civil e o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) solicitaram a prisão temporária de Qiu, alegando alto risco de fuga. “Xau é estrangeiro e fugiu do local do crime, sendo provável e previsível que tente fugir do país para não responder por seus crimes”, consta em trecho da denúncia acolhida pela Justiça. A decisão judicial ressaltou ainda que o suspeito já havia deixado sua residência na capital fluminense logo após o crime e indicava sinais de estar vendendo seus bens, incluindo o trailer onde vendia yakisoba.
Relembre o caso
O corpo de Marcelle foi encontrado no sábado (14), enrolado em uma lona azul no segundo andar de uma casa em obras pertencente ao suspeito, na Rua São Fidélis, na Pavuna, Zona Norte do Rio. Ela havia sido vista pela última vez dois dias antes, na madrugada do dia 12, após visitar o comerciante. Segundo a perícia, o corpo apresentava sinais de mordidas causadas por dois cães da raça pit bull que estavam no local.
Imagens de câmeras de segurança obtidas pela investigação mostram Qiu saindo de sua residência na Rua Robert Chuma, no bairro Jardim América, empurrando um carrinho coberto por uma lona azul semelhante à que envolvia o corpo. As gravações foram feitas na manhã do mesmo dia em que o desaparecimento foi denunciado pela mãe da vítima.
Confissão e buscas particulares
De acordo com o depoimento de uma amiga da vítima, Qiu teria confessado o crime em uma mensagem: “Já matei, agora vou me matar”, teria escrito. A testemunha relatou à polícia que não tinha a captura de tela da mensagem, mas afirmou que poderia obtê-la. A mãe de Marcelle também confirmou ter visto a confissão no celular da testemunha.
A mesma amiga, acompanhada de outra pessoa que teve um relacionamento anterior com o comerciante, decidiu investigar por conta própria. Após encontrarem a bicicleta da vítima em um canal próximo à casa em obras, voltaram ao imóvel e localizaram o corpo no segundo andar. Os cães agressivos dificultaram a aproximação, sendo necessário sedá-los para permitir a chegada ao cadáver.
Indícios de crime premeditado
Outros testemunhos apontam que o suspeito costumava promover festas com consumo de álcool e drogas, nas quais convidava mulheres jovens com a intenção de manter relações sexuais. Pessoas próximas à vítima relataram que Qiu era obcecado por Marcelle, embora não tivesse seus sentimentos correspondidos.
Um amigo que dividia moradia com o suspeito disse ter escutado barulhos de esganadura na madrugada do desaparecimento e que, desde então, o comerciante havia desaparecido.
As circunstâncias do crime, o sumiço repentino do suspeito, a venda de seus pertences e o histórico de comportamentos abusivos levaram os investigadores a considerar que o feminicídio foi premeditado. A Delegacia de Homicídios instaurou inquérito para apurar todos os detalhes do caso. Qiu segue preso temporariamente por 30 dias, à disposição da Justiça.





