Sócios do advogado Rodrigo Marinho Crespo, assassinado a tiros em plena luz do dia no Centro do Rio em 2024, disseram ter alertado o colega sobre os riscos de abrir uma plataforma de apostas esportivas meses antes do crime. As conversas foram apresentadas durante o julgamento de três acusados de participação no homicídio, retomado nesta sexta-feira (6) no Tribunal do Júri.
Segundo o Ministério Público do Rio (MPRJ), Crespo havia manifestado interesse em abrir um “sports bar” com apostas online em Botafogo, utilizando uma plataforma própria sediada na Ásia. A iniciativa, no entanto, não chegou a sair do papel.
Durante o julgamento, promotores exibiram mensagens trocadas entre o advogado e dois sócios, nas quais um deles afirma que explorar jogos de apostas no estado exigiria autorização de grupos ligados à contravenção.
Segundo mensagens exibidas no julgamento, Crespo foi alertado por sócios de que atividades desse tipo no Rio costumam ter controle informal e que seria necessário pagar um tipo de “pedágio” para operar o negócio.
Interesse no mercado de apostas teria motivado o homicídio
Para o Ministério Público, o interesse do advogado em entrar no mercado de apostas pode ter sido a motivação do assassinato. Crespo tinha 42 anos e foi morto a tiros em plena luz do dia, em 26 de fevereiro de 2024, no Centro do Rio.
Durante o júri, o promotor Bruno Faria afirmou que as provas reunidas na investigação indicam a participação dos réus na execução do crime. Segundo ele, a vítima não tinha envolvimento com atividades criminosas.
Réus no julgamento
Três homens são julgados por participação no homicídio:
- Leandro Machado da Silva, conhecido como Cara de Pedra, policial militar apontado como responsável por providenciar os veículos usados na ação;
- Cezar Daniel Mondego de Souza, o Russo, acusado de monitorar a vítima;
- Eduardo Sobreira de Moraes, que teria ajudado no acompanhamento da rotina de Crespo antes do ataque.
Eles se tornaram réus em abril de 2024, após a Justiça aceitar a denúncia do Ministério Público. Leandro foi afastado da Polícia Militar.





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