Desde a reintrodução da exigência de visto para turistas dos Estados Unidos, Canadá e Austrália, o Brasil barrou a entrada de 96 viajantes dessas nacionalidades, sendo 69 deles norte-americanos. Os dados foram obtidos pela Coluna do Estadão junto à Polícia Federal e abrangem o período entre 10 e 15 de abril, logo após o início da vigência da nova regra.
A maioria dos turistas impedidos de entrar no país desembarcou no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo. Também houve registros em entradas terrestres. A obrigatoriedade de visto havia sido suspensa de forma unilateral em 2019, durante o governo de Jair Bolsonaro, mas foi retomada agora sob o argumento de reciprocidade, já que esses países continuam exigindo o documento de brasileiros.
Segundo a Polícia Federal, o percentual de turistas barrados entre os americanos foi de 1,13%: de 6.120 que chegaram ao Brasil no período, 69 foram impedidos de entrar por não apresentarem o visto obrigatório. A situação foi mais crítica entre os australianos: 4,1% (15 de 368) foram barrados. Entre os canadenses, o índice chegou a 1,54% (12 de 789).
A PF aponta que os casos de impedimento se concentraram nos primeiros dias após a mudança, o que indica que muitos viajantes não estavam cientes da nova exigência. Com o passar dos dias, o número de incidentes começou a diminuir, sugerindo que as informações estão sendo melhor disseminadas.
A retomada da exigência de visto foi decidida ainda durante o período de transição do governo Lula, no fim de 2022, com base no princípio da reciprocidade diplomática. Segundo o Planalto, a isenção unilateral promovida por Bolsonaro não resultou em aumento expressivo no fluxo turístico e gerava um desequilíbrio nas relações com os países beneficiados, que não adotaram medidas semelhantes.
Em 2023, o Japão negociou e firmou com o Brasil a isenção recíproca de vistos para fins turísticos. Estados Unidos, Canadá e Austrália, porém, não aceitaram o mesmo acordo, o que levou o governo brasileiro a aplicar a exigência a seus cidadãos.
A medida, embora criticada por parte do setor turístico, é defendida pelo Itamaraty como uma correção de rota nas relações internacionais. Para o governo, a reciprocidade é um princípio de respeito mútuo entre países, e sua adoção preserva a dignidade da política externa brasileira.





