Sete militares responderão criminalmente pelo roubo de metralhadoras do Exército e terão sigilos bancários e telefônicos quebrados

Sete militares serão responsabilizados criminalmente pelo roubo de armas do Arsenal de Guerra de São Paulo, em Barueri, na região metropolitana. Eles estão impedidos de deixar o local e são suspeitos de participar diretamente do furto das 21 metralhadoras do quartel do Exército. Outros 20 militares, entre oficiais, sargentos, cabos e soldados, serão responsabilizados na…

Sete militares serão responsabilizados criminalmente pelo roubo de armas do Arsenal de Guerra de São Paulo, em Barueri, na região metropolitana. Eles estão impedidos de deixar o local e são suspeitos de participar diretamente do furto das 21 metralhadoras do quartel do Exército.

Outros 20 militares, entre oficiais, sargentos, cabos e soldados, serão responsabilizados na esfera administrativa pelo furto, por terem negligenciado a fiscalização. Todos eles receberam formulários de apuração de transgressão para usarem em suas defesas. Eles estão aquartelados no Arsenal, mas podem deixar o local após o trabalho.

O general de brigada Maurício Vieira Gama, chefe do Estado-Maior do Comando Militar do Sudeste, explicou ontem que todos os 20 responderão por terem sido negligentes, mas que não necessariamente participaram do crime. A penalidade para a transgressão nessa esfera pode ser de até 30 dias de prisão disciplinar.

— Eles contribuíram para o crime por terem sido negligentes, mas não necessariamente cometeram crime — afirmou Gama.

Segundo o general, trata-se do maior roubo de armas da história do Exército e o crime certamente aconteceu com a participação dos militares.

— Nossos processos de controle são eficazes. Um episódio desses nunca ocorreria sem a participação dos militares. Queremos entender também, com o processo administrativo, quem deixou de fazer alguma coisa na gerência, controle e fiscalização dessas armas. Serão punidos ou por ação ou por inação — afirmou Gama.

A operação administrativa é independente do Inquérito Policial Militar (IPM), de responsabilidade do Exército, em parceria com as forças de segurança de estados. Segundo Gama, sua conclusão costuma ser mais rápida do que a investigação do IPM, cujo prazo é de 40 dias, podendo ser prorrogado por mais 20.

Até sábado (21), 160 militares estavam aquartelados no Arsenal para colaborarem com as investigações. Parte da tropa foi liberada, permanecendo agora 45 militares.

Até o momento, quatro das 21 armas roubadas ainda não foram recuperadas. Na madrugada de sábado, a Polícia Civil de São Paulo encontrou nove metralhadoras em São Roque, no interior de São Paulo. Durante a ação, houve troca de tiros entre a polícia e criminosos. As armas estavam enterradas num lago e seriam vendidas a criminosos.

Das nove metralhadoras encontradas, cinco são da marca Browning, calibre .50, e quatro da marca MAG, calibre 762.

Na quinta-feira, a Polícia Civil do Rio de Janeiro já havia recuperado oito metralhadoras retiradas do quartel de Barueri. O equipamento estava dentro do porta-malas de um carro na Gardênia Azul, na Zona Oeste da cidade. A operação da polícia fluminense contou com o apoio do Exército, que está em contato com outras forças de segurança para encontrar as demais armas que ainda estão desaparecidas.

O secretário da Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite, afirmou no sábado que as armas estavam sendo negociadas com o Primeiro Comando da Capital (PCC) e com o Comando Vermelho (CV).

Durante a coletiva, questionado sobre se as facções teriam aliciado os militares, Gama disse que essa é uma das linhas de investigação.

— É muito provável que eles [os militares] não retirariam esse armamento se não tivesse interesse lá fora — ressaltou.

Ao todo, sumiram do Arsenal 13 metralhadoras calibre.50 e 8 de calibre 7.62, armamentos “inservíveis” recolhidos para manutenção. As armas furtadas estavam na unidade técnica de manutenção do Exército, responsável também por iniciar o processo de desfazimento e destruição dos armamentos. Elas eram consideradas sem serventia porque a recuperação é “antieconômica” para a administração do Exército, isto é, não vale a pena gastar os recursos e esforços necessários para sua utilização. Já para o crime organizado, um dos possíveis destinos dos equipamentos retirados do quartel, essa conta poderia ser mais vantajosa.

A data exata em que os furtos ocorreram ainda não é sabida. O Exército entende que tenha sido no período entre 6 de setembro, data da última conferência do armamento existente na sala onde estavam depositadas as armas, e 10 de outubro, quando o sumiço do equipamento foi descoberto.

Com informações de O Globo.

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