Dados do Instituto de Segurança Pública (ISP) mostram que os índices de letalidade violenta, roubo a estabelecimento comercial e roubo a transeunte tiveram queda em Niterói entre janeiro e novembro de 2024, em comparação ao mesmo período de 2023. Apesar das reduções, crimes como furto de celular, furto de bicicleta e roubo de veículo apresentaram crescimento expressivo no mesmo intervalo.
Entre os destaques positivos, a letalidade violenta diminuiu 12,2%, passando de 74 para 65 casos. O roubo a estabelecimento comercial teve queda de 14,3%, com 54 ocorrências em 2024 frente a 63 no ano anterior. Já o roubo a transeunte registrou uma redução de 6,9%, com 711 casos neste ano, ante 764 em 2023.
Por outro lado, o furto de celular aumentou 80,3%, saltando de 614 para 1.107 registros. O furto de bicicleta cresceu 32,4%, com 637 ocorrências em 2024 contra 481 no ano anterior. O roubo de veículo também teve alta significativa, de 72,9%, passando de 181 para 313 casos.
As variações evidenciam mudanças no padrão dos delitos na cidade. O antropólogo Robson Rodrigues, ex-chefe do Estado-Maior da PM fluminense, analisa os números e, apesar de enxergar de maneira positiva a queda na letalidade violenta — que inclui homicídio doloso, lesão corporal seguida de morte, roubo seguido de morte e morte por intervenção de agente do Estado —, afirma que, de maneira geral, a cidade ainda não tem motivos para comemorar nesse ponto. Ele compara os números registrados em Niterói com os de São Gonçalo, por exemplo, que apresentou cerca de 45% a menos de casos.
— De maneira geral, esse índice em Niterói ficou dentro da média estadual, mas bem abaixo de cidades até da Baixada Fluminense, o que deve ser considerado um sinal de alerta. E dentro desse guarda-chuva, o mais importante é o homicídio doloso. E, nesse intervalo, a cidade teve aumento de dois casos. O que diminuiu de fato foi a morte por intervenção policial, e isso é positivo — analisa.
Fator preocupante
Sobre o roubo de veículos, Rodrigues afirmou ser alarmante. Os números revelam que Niterói está acima do dobro do crescimento registrado em todo o estado. O antropólogo chama a atenção para o impacto econômico desse indicativo estratégico para os órgãos de segurança. Segundo ele, esse tipo de prática cresce quando, de forma geral, as pessoas perdem poder aquisitivo e recorrem a alternativas como o mercado ilegal de peças. O uso de veículos roubados para práticas de ostentação também deve ser levado em conta.
— Esse número está mostrando alguma fragilidade no esquema. Niterói é uma cidade com alto poder aquisitivo, e isso deve estar chamando a atenção. Aqui, as ações integradas são fundamentais. São quadrilhas que precisam ser investigadas para saber em qual atividade estão atuando, seja desmanche ou até uso de carros na prática de crimes. Por serem roubados, é mais difícil identificar os autores da ação — explica.
Em relação ao crescimento do furto de celular, Rodrigues destaca que esse tipo de crime, por ser considerado de menor potencial ofensivo, acaba não recebendo a devida atenção das autoridades. Mais do que tentar sufocar o problema na ponta, o especialista defende uma ação conjunta com órgãos municipais para rastrear o destino desses aparelhos. Feiras clandestinas costumam alimentar esse tipo de mercado, ressalta ele.
— O furto de celular tem crescido no país todo. E esse é um crime que não se resolve apenas com métodos tradicionais de policiamento. Nesses casos, o criminoso espera falhas na segurança ou uma distração da vítima para agir. Mas esse índice está diretamente ligado à sensação de segurança nas ruas e, por isso, não pode ser menosprezado — afirma.
O funcionário público Bruno Aragão saía da Rua Desembargador Toledo Piza, em Santa Rosa, às 8h da manhã do dia 13 de novembro, em direção a um mercado no mesmo bairro, quando deixou sua bicicleta elétrica, avaliada em R$ 3 mil, perto do local. Ao sair, teve a surpresa de não encontrar mais o veículo. O caso dele reflete o crescimento desse tipo de crime na cidade.
— Errei por achar que isso nunca aconteceria comigo. Dá uma sensação de impotência quando percebemos o que aconteceu. A ficha até demorou a cair. Pensei que tinha confundido o lugar onde deixei, mas a bicicleta foi furtada, mesmo com trava — lamenta.
Em maio do ano passado, agentes da 77ª DP, em Icaraí, prenderam um suspeito acusado de estar com 15 bicicletas furtadas. Na época, o delegado da unidade explicou que os ladrões agiam nos bairros de Icaraí e Santa Rosa, na Zona Sul, arrebentando as correntes dos bicicletários. Depois disso, os homens embarcavam com as bicicletas nas barcas em direção à Praça Quinze, onde as guardavam em um galpão para revenda.
Em nota, a Polícia Militar informou que o combate a roubos e furtos é prioridade, com foco na redução de crimes e no aumento da segurança no estado. Em Niterói, o 12º BPM reforçou o patrulhamento com motopatrulhas e viaturas, distribuídas com base em análises das manchas criminais.
Com informações de O Globo





