A Secretaria Municipal de Saúde do Rio divulgou ontem um alerta nas redes sociais sobre uma pomada para cabelo que tem causado queimaduras nos olhos dos cariocas.
O produto é utilizado para fazer penteados, como tranças e baby hair. Um dia depois do Natal, na última segunda-feira, foram 130 atendimentos em apenas 12 horas na unidade de saúde do município. Os pacientes relataram dores, ardência, embaçamento e dificuldade para abrir os olhos.
As informações são do Globo online.
Na última segunda-feira, a procura pela emergência mais que dobrou no Souza Aguiar, que tem emergência oftalmológica. De 60 atendimentos em dias normais, a médica Anna Beatriz Simões, informou ter atendido mais de 130 pessoas em 12 horas de plantão. Ao longo da semana, ela recebeu pelo menos outros 20 pacientes com os mesmos sintomas. A maioria era mulheres e crianças.
De acordo com a oftalmologista, são muitas marcas e os produtos têm uma série de substâncias, como fixante, corante e geralmente possuem o ph mais ácido, que favorece a queimadura de uma mucosa sensível como a dos olhos.
— O que ocorre é uma lesão na córnea, a superfície externa do olho. As substâncias causam uma ceratite, provocando embaçamento, vermelhidão, lacrimejamento intenso e muita dor, impedindo a pessoa de abrir os olhos. Também causa uma cegueira momentânea, por conta da queimadura na córnea. Como são muitas marcas, e alguns potes sem identificação, eu estou pedindo para os pacientes mandarem fotos para a gente compilar e identificar esses produtos — explica a médica.
A recuperação leva em média 5 a 7 dias, podendo chegar a quinze, dependendo da profundidade da ferida. O tratamento envolve pomadas oftalmológicas e compressas de água gelada. O soro fisiológico, ao contrário do senso comum, não é indicado.
— A recomendação, em caso de contato com o produto, é lavar em água corrente e procurar atendimento médico. O soro é mais salgado, então prejudicaria mais ainda, porque ele “rouba” a água presente na lágrima, piorando o quadro de queimadura. Também é importante fazer o acompanhamento da recuperação – informa Anna Beatriz.
A Ômegafix, uma das pomadas utilizadas nos procedimentos e relatados pelos pacientes atendidos no Souza Aguiar, está na lista de produtos não regulamentados pela Anvisa desde 22 de março deste ano.
No último dia 13, a Agência emitiu um alerta sobre o risco de efeitos colaterais graves, como cegueira temporária, possivelmente associados a produtos utilizados para trançar e modelar cabelos.
O documento é resultado de relatos que a agência tem recebido sobre os problemas, além de notícias veiculadas na mídia que chamaram a atenção do órgão.
No alerta nas redes sociais, a Secretaria Municipal de Saúde do Rio destacou que “é fundamental adquirir e usar apenas produtos regularizados junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), respeitar as instruções do fabricante ou importador quanto às condições de uso dos produtos e o prazo de validade, e atentar para a lavagem das mãos sempre que fizer uso de algum produto cosmético.”
Pelo site da Anvisa, é possível consultar quais produtos são regularizados e também os proibidos. Caso tenha algum problema ou evento adverso, também é possível notificar de forma online.
Suspeitas de irregularidades de empresas podem ser denunciadas pelo 1746, pelo telefone de mesmo número ou pelo portal https://1746.rio.







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