O município de Envira, no sudoeste do Amazonas, a 1,2 mil km de Manaus, enfrenta graves problemas devido à seca. Com uma população de 10 mil habitantes, a seca isolou comunidades, encalhou embarcações e causou desabastecimento.
Autoridades temem que essa situação se espalhe pelo estado, onde a previsão é que a seca deste ano supere a do ano passado, considerada a mais rigorosa da história. Até o momento, 20 dos 62 municípios amazonenses já estão em situação de emergência.
O governo estadual decretou emergência ambiental devido às queimadas registradas no sul do Amazonas, em Manaus e na Região Metropolitana. Os decretos têm validade de 180 dias. Na capital, o nível do Rio Negro baixou 54 centímetros em julho. Entre domingo e segunda-feira, o Rio Solimões desceu mais seis centímetros, atingindo a cota de 5,76m. Dos 20 municípios em emergência, sete estão na região do Alto Solimões: Tabatinga, Benjamin Constant, Atalaia do Norte, São Paulo de Olivença, Amaturá, Santo Antônio do Içá e Tonantins.
No Acre, a seca também causa problemas. Três meses após a segunda maior cheia do Rio Acre destruir várias plantações na zona rural de Rio Branco, a estiagem tem atrasado o crescimento das plantações. Na capital acriana, o acumulado de chuvas em junho foi de apenas 21,1 milímetros, 34% do esperado.
Abastecimento
Em Envira, a estiagem já superou os números do ano passado. No dia 16 de julho de 2023, o nível do Rio Tarauacá era 8,55 metros. Um ano depois, estava em 5,26 metros. Na foz do Rio Jurupari, um afluente do Rio Envira, já é possível atravessar a pé. No último fim de semana, a profundidade chegou a 1,22 metro, comparada a 6,77 metros no ano passado.
Segundo a Defesa Civil, das 10 mil pessoas afetadas pela baixa vazão dos rios Tarauacá e Envira, 3 mil vivem em zonas ribeirinhas. O isolamento do município agrava a situação. Em condições normais, é mais fácil e vantajoso chegar a Envira por Feijó, no Acre, a 89 km, de barco ou avião. Com a seca, esse trajeto, já difícil, tornou-se ainda pior.
O secretário de saúde, Maronilton Silva, alerta para a possibilidade de falta de oxigênio em Envira: — Hoje, nossa logística se faz pelo Acre, com os cilindros saindo de Feijó. Isso levava dois, três dias. Agora, são 11, 12 dias.
Com informações de O Globo





