Sebastião Melo e Maria do Rosário fazem último debate em Porto Alegre e enchentes de abril e educação dominam as discussões

Enchentes de abril, consideradas a maior tragédia climática da história do Rio Grande do Sul e que deixaram milhares de moradores desabrigados, vieram à tona e dominaram o debate

Em Porto Alegre, os candidatos à prefeitura de Porto Alegre priorizaram no debate desta sexta-feira (25) temas como educação e a responsabilidade pelas enchentes que atingiram a cidade em abril. O embate, realizado pela TV Globo, foi o último antes da eleição deste domingo, quando o atual chefe do Executivo porto-alegrense, Sebastião Melo (MDB), enfrenta a deputada federal Maria do Rosário (PT).

A primeira rodada, de tema livre, foi iniciada pela candidata petista, que questionou o atual mandatário sobre a queda do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) na cidade, que chegou à segunda pior colocação entre as capitais em 2023. O prefeito reconheceu o problema, mas citou feitos como a nomeação de 1,6 mil professores e jogou a culpa para governos anteriores da legenda de Maria do Rosário.

Maria do Rosário também citou escolas que estariam sem gás, ao que Melo sugeriu que seriam casos de diretores da oposição querendo “fazer um enfrentamento político a dois dias da eleição”:

— Quando tem professores que mais se preocupam com partido político do que com a educação, isso é um problema também em Porto Alegre – alegou.

Rapidamente, as enchentes de abril, consideradas a maior tragédia climática da história do Rio Grande do Sul e que deixaram milhares de moradores da capital gaúcha desabrigados, vieram à tona e dominaram o debate.

A deputada federal defendeu que houve negligência da parte do prefeito:— O senhor não tomou as providências. (…) Todo mundo viu como as casas de bomba estavam sem funcionar — acusou a petista.

Melo rebateu as alegações: — A senhora acredita mesmo nessa narrativa? Tivemos o maior desastre climático do Rio Grande do Sul. O sistema concebido pelo governo federal se mostrou ineficiente. Estamos fazendo as obras de recuperação — disse.

O prefeito chegou a citar que “o governo do PT era o governo do alagamento” em referência a gestões anteriores da capital. Além disso, disse que “o sistema é responsabilidade do governo federal, e nunca houve uma manutenção”: — Só tem um caminho, refazer o sistema antigo, de forma emergencial, e fazer um sistema novo.

Maria do Rosário rebateu o mandatário ao dizer que “ele quer passar para o presidente Lula a responsabilidade de não ter cuidado das bocas de lobo (parte do sistema de drenagem), de ter colocado sacos de areia do lado errado”.

A candidata disse que vai recriar o Departamento de Esgotos Pluviais (DEP), autarquia criada nos anos 70 para operar o sistema de drenagem, mas que foi extinta em 2019 ao ter suas funções absorvidas pelo Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae).

O debate também ganhou contornos nacionais quando Maria do Rosário citou os indícios de corrupção na pasta da Educação durante a gestão de Melo. O prefeito afirmou ter aberto uma investigação, porém questionou o incômodo da parlamentar, que seria “seletivo”:

— A senhora tem uma indignação aqui. Mas, quando casos de corrupção foram provados nos governos que o seu partido lidera, eu não vi nenhuma indignação. É seletiva a sua indignação, eu não tenho ladrão de estimação do meu lado.

A petista questionou, então, Melo sobre o apoio a Jair Bolsonaro (PL) e o que o prefeito teria feito quando o ex-presidente extinguiu o Centro Nacional de Tecnologia Eletrônica Avançada (Ceitec), estatal fabricante de chips que ficava em Porto Alegre. A decisão foi revertida pelo atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Melo disse ser “um prefeito de diálogo” e não ser “radical”. Mesmo depois de ter mencionado os governos do PT diversas vezes, defendeu que “a eleição é municipal, não é federal”. Já a petista defendeu saber “os caminhos em Brasília para buscar os recursos” graças à atuação como deputada federal e a relação com presidente Lula.

Com informações de O Globo.

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