‘Se não nos prepararmos, qualquer dia alguém invade’: Lula diz que é preciso investir mais em defesa

Durante visita do presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, ao Brasil, petista falou em cooperação militar, ampliação do comércio bilateral e parcerias em energia, tecnologia e minerais críticos

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira (9) que o Brasil precisa ampliar seus investimentos na área de defesa e fortalecer parcerias internacionais para evitar vulnerabilidades estratégicas. A declaração foi feita durante encontro com o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, em Brasília.

Após reunião no Palácio do Planalto, Lula ressaltou que a cooperação entre os dois países pode incluir projetos conjuntos no setor de defesa, com o objetivo de reduzir a dependência de fornecedores estrangeiros de armamentos. Segundo ele, o desenvolvimento de tecnologias próprias é essencial para garantir autonomia estratégica.

“Então, pensamos em defesa como dissuasão. Mas não sei se o companheiro Ramaphosa percebe que se a gente não se preparar para a questão da defesa, qualquer dia alguém invade a gente”, afirmou o presidente. Ele também defendeu maior independência na produção de equipamentos militares. “Não precisamos ficar comprando dos senhores das armas. Nós poderemos produzir. O que precisa é nós nos convencermos de que ninguém vai ajudar a gente a não ser nós mesmos.”

Cooperação bilateral e comércio

A visita de Estado do presidente sul-africano ao Brasil também resultou na assinatura de acordos voltados ao fortalecimento da cooperação econômica, política e comercial entre os dois países. Entre os instrumentos firmados está a renovação, por mais quatro anos, do plano de ação para o setor de turismo, com o objetivo de incentivar viagens de lazer e negócios, informa Brasil 247.

Outro acordo envolve a ApexBrasil e o Departamento de Comércio da África do Sul, voltado ao estímulo de investimentos e à ampliação das trocas comerciais. Lula destacou que o atual nível de comércio bilateral ainda é considerado baixo diante do potencial das duas economias.

“A relação comercial não está à altura do potencial de nossas economias. O intercâmbio anual está estagnado há quase 20 anos. Não existe nenhuma explicação política para que a gente não tenha um comércio acima de US$ 10 bilhões. Alguma coisa está faltando na nossa relação”, afirmou.

Em 2025, o fluxo comercial entre Brasil e África do Sul atingiu cerca de US$ 2,3 bilhões. Entre os principais produtos exportados pelo Brasil estão carnes de aves e miudezas, açúcares e melaços e veículos rodoviários. Já as importações brasileiras concentram-se principalmente em prata, platina e outros minerais do grupo da platina.

Parcerias em energia, tecnologia e minerais críticos

Lula também destacou que há diversas áreas com potencial de cooperação entre os dois países, como energia renovável, ciência e tecnologia e agricultura. O presidente defendeu ainda maior intercâmbio cultural para aproximar as sociedades brasileira e sul-africana.

“Essa visita vai permitir que a gente repense nossa relação com a África do Sul, porque temos muitas similaridades, muito o que aprender e ensinar, na área da energia renovável, na questão da ciência e tecnologia, na agricultura”, afirmou.

Outro tema abordado foi a exploração de minerais críticos e terras raras, considerados estratégicos para a transição energética e para o desenvolvimento tecnológico. Lula afirmou que o Brasil pretende fortalecer as cadeias produtivas ligadas a esses recursos para evitar repetir erros históricos na exportação de commodities.

“Já está avisado ao mundo que o Brasil não vai fazer das terras raras e minerais críticos aquilo que foi feito com o minério de ferro, a gente vender e comprar produto acabado pagando 100 vezes mais caro”, declarou.

Agenda da visita de Estado

Ramaphosa chegou ao Palácio do Planalto pouco depois das 10h desta segunda-feira (9), onde participou de reunião reservada com Lula, seguida de encontro ampliado com integrantes dos dois governos, assinatura de atos e declaração conjunta à imprensa.

Na sequência, as delegações seguiram para o Palácio Itamaraty, onde ocorreu um almoço oficial e a abertura do Fórum Empresarial Brasil–África do Sul. Como parte do protocolo de visitas de Estado, o presidente sul-africano também deve visitar o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal.

Brasil e África do Sul mantêm uma parceria estratégica desde 2010, considerada o mais alto nível de relacionamento bilateral. A cooperação envolve temas como defesa e segurança, energia nuclear, comércio, investimentos e coordenação em fóruns multilaterais. Durante o atual mandato, Lula esteve no país africano em 2023 para a Cúpula do Brics e voltou em 2025 para a reunião de líderes do G20.

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