Saúde no Rio: cariocas esperam até 7 meses por consulta

Pesquisa revela aumento no tempo de espera e redução nos atendimentos na rede pública

A saúde pública do Rio de Janeiro enfrenta um cenário cada vez mais preocupante: pacientes chegam a aguardar até sete meses por uma consulta especializada. Uma pesquisa da plataforma Participa.Rio, que contou com 14,5 mil participantes, apontou o atendimento médico como uma das maiores queixas da população. Os bairros da Zona Oeste lideraram as respostas.

Casos de pacientes revelam drama do dia a dia

A auxiliar administrativa Rita de Cássia Nobre de Souza vive há mais de um ano e três meses à espera de uma consulta oftalmológica. Portadora de pressão alta nos olhos, condição que pode levar à perda irreversível da visão, ela relata a angústia de não conseguir acompanhamento adequado.

“É uma sensação de total abandono, descaso, frustração. Eu preciso fazer acompanhamento semestralmente e nunca consegui. Entro em contato com a Clínica da Família e dizem que estou na fila, que tenho que aguardar, que não é com eles”, contou.

Segundo Rita, as dores constantes e a dificuldade de enxergar já afetam sua rotina no trabalho e em casa: “Sinto muita dor de cabeça, dor nos olhos, uma pressão que atrapalha meu dia a dia. Ler, assistir televisão, mexer no celular… está ficando cada vez mais complicado.”

Outro caso é o de José Fernando, que sofre com cálculo renal e aguarda cirurgia desde o início de 2025. Sua esposa, Ana Paula da Silva, descreve o sofrimento da família: “As dores são fortes, causam febre. Ele mal consegue andar. Acho que é uma falta de respeito com o ser humano, principalmente para quem depende da saúde pública.”

Dados oficiais mostram queda nos atendimentos

De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), o tempo médio de espera por uma consulta oftalmológica era de 84 dias em 2023. Em 2024, esse prazo mais que triplicou, chegando a 226 dias — o equivalente a sete meses e meio. Em 2025, a média permanece no mesmo patamar.

O número de pacientes na fila também cresceu: de 9.296 em 2023 para 12.365 em 2025. Já a quantidade de atendimentos caiu de forma drástica, passando de 19.096 em 2023 para apenas 3.945 até agosto deste ano.

Prefeitura promete ampliar estrutura

Em resposta, a SMS afirmou que inaugurou o Supercentro Carioca de Saúde, com o objetivo de ampliar o acesso às especialidades médicas, e que pretende abrir mais duas unidades — uma na Zona Norte e outra na Zona Oeste. A secretaria destacou ainda que, nos últimos quatro anos, as vagas ofertadas pelo Sisreg triplicaram, saltando de 799 mil para quase três milhões.

No caso de José Fernando, a secretaria informou que ele entrou no Sisreg em março e já tem consulta marcada no Hospital Municipal Ronaldo Gazolla para esta terça-feira (19). Sobre Rita de Cássia, a SMS disse que ela foi acompanhada por um oftalmologista em 2023 e aguarda nova revisão, mas seu caso não está registrado como urgência no sistema.

A crise da saúde no Rio reforça um problema crônico de gestão e infraestrutura, que tem impacto direto na vida de milhares de pessoas que dependem exclusivamente do SUS para atendimento básico e especializado.

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