O vereador Rafael Satiê (PL) registrou, nesta quarta-feira (16), uma ocorrência por racismo na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi) após ser chamado de ‘capitão do mato’ durante a sessão de ontem na Câmara do Rio, quando ele e os demais parlamentares votaram a mudança na Lei Orgânica que permite o armamento à Guarda Municipal do município. Além disso, o bolsonarista também oficiou a Câmara sobre o episódio na tarde de hoje.
Os ataques teriam partido do público contrário ao projeto, que ocupava uma das galerias, inclusive por membros do Movimento Camelôs Unidos (Muca), alguns deles, de pele clara. Único vereador negro da bancada do Partido Liberal, Satiê é também influencer e foi atacado após provocar a plateia, ao lembrar que foi camelô na Barão do Bom Retiro, no Engenho Novo, e relatou que nunca teve itens apreendidos pela GM.
“A Guarda é formada, em sua maioria, por pretos e pardos. Dizer que ela vai sair por aí oprimindo preto e pobre é uma distorção”, afirmou o parlamentar. Depois disso, foi chamado de “vendido” assim como a vereadora Talita Galhardo (PSDB) em sua fala.
A expressão usada tem carga racista: no período colonial, capitães do mato — muitos deles negros — reprimiam violentamente escravizados fugitivos. Usada como xingamento, a frase teve o claro intuito de deslegitimar lideranças negras, especialmente de posicionamento político conservador. o parlamentar é presidente da Comissão de Combate ao Racismo da Câmara, que ainda conta com membros de outros partidos como o PSOL.
Na sessão, o conservador ainda reagiu, apontando para os agressores: “Mais alto! Isso é racismo, senhoras e senhores! Isso é racismo!”. Para o vereador, os apelidos pejorativos tinham como objetivo “cancelar” sua atuação por ser preto e de direita.
“Estão chamando o preto de capitão do mato. Isso tem condenação no Supremo Tribunal Federal. Querem me cancelar? Cancelem quem nasceu na favela do Jacarezinho. Eu nasci cancelado!”, gritou Satiê em plenário, onde ainda falou que o deputado federal Glauber Braga (PSOL) será cassado por bater em “trabalhador”, lembrando a acusação atribuída à GM.
Diferente da primeira votação, os ânimos estavam acirrados com direito a intensas provocação entre as galerias ‘contra’ e ‘a favor’, esta última liderada pelo ex-vereador e Guarda Municipal Jones Moura.





