Os saques da caderneta de poupança no acumulado do ano superaram em R$ 102,1 bilhões o total de depósitos. Apenas no mês de outubro, segundo o Relatório de Poupanças divulgado nesta segunda-feira pelo Banco Central, o valor dos saques superou o de depósitos em R$ 11 bilhões. Os correntistas sacaram R$ 313 bilhões e depositaram R$ 302 bilhões. É o maior saldo negativo de outubro desde 1995, ou seja, em 27 anos.
A acentuada fuga da poupança é atribuída pelos economistas à inflação elevada, entre outros fatores. A taxa anual chegou em 2022 à casa de dois dígitos e só desacelerou a partir de julho, em consequência de medidas de redução de impostos sobre combustíveis e energia elétrica. Mesmo assim, até setembro a inflação oficial – o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – acumulou alta superior a 4% e, no acumulado de 12 meses, mais de 7%.
Os especialistas dizem também que contribuiu para a fuga da poupança a elevada taxa básica de juros. A Selic está em 13,75% – maior taxa básica desde dezembro de 2016. Já a caderneta de poupança segue com rendimento travado em 6,17% ao ano + TR (Taxa Referencial), perdendo para outras aplicações de renda fixa.
Além disso, o endividamento e a inadimplência das pessoas são os maiores em 12 anos. De cada 10 famílias, oito estão endividadas, segundo pesquisa divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo. Em outubro, mais de 30% das famílias não conseguiram pagar as dívidas.
A Serasa calcula em 68 milhões o número de pessoas que estão inadimplentes. Do total das dívidas, 30% são com cartão de crédito, cheque especial ou empréstimo.






Uma resposta para “No Brasil de 68 milhões de endividados e inflação alta, saques da poupança neste ano superam depósitos em mais de R$ 102 bilhões”