São Paulo registrou nesta quinta-feira (26) o recorde de temperatura do ano pelo segundo dia consecutivo. Os termômetros marcaram 36,2°C às 15h na estação meteorológica do Mirante de Santana, na Zona Norte da capital, de acordo com dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Na véspera, durante o feriado de Natal, o mesmo local havia registrado 35,9°C, até então a maior marca de 2025.
A onda de calor ocorre em pleno início de um verão marcado pela estiagem e pela atuação de um fenômeno conhecido como bloqueio atmosférico, que dificulta a chegada de frentes frias à região. Segundo especialistas, a condição deve se manter pelo menos até a próxima segunda-feira (29).
Bloqueio atmosférico intensifica o calor
De acordo com o meteorologista Melk Duarte, do Inmet, o calor extremo é provocado por um sistema de alta pressão, também chamado de anticiclone, que atua nos médios e altos níveis da atmosfera.
“Agora existe um sistema de alta pressão, um anticiclone, atuando nos médios e altos níveis de altitude, e isso gera subsidência, que é o movimento descendente do ar, dificultando a entrada de outras frentes”, disse ao Globo. “Esse tipo de situação é mais comum em janeiro, mas pode ocorrer em dezembro, como estamos vendo agora”.
Com temperaturas se aproximando dos 40°C, o clima típico de lazer do verão começa a dar lugar ao desconforto. Nas ruas, paulistanos recorrem a guarda-chuvas para se proteger do sol, enquanto shoppings e espaços climatizados ficam mais cheios ao longo do dia.
Verão seco e novas ondas de calor no radar
A previsão indica que a onda de calor que atinge São Paulo e Rio de Janeiro deve perder força após o Ano Novo, mas o alívio tende a ser temporário. Os modelos climáticos apontam para um verão seco e quente nos primeiros meses do ano.
O Inmet projeta que, em janeiro e fevereiro, o Sudeste registre acumulados de chuva até 100 milímetros abaixo da média. Em condições normais, a região enfrenta de três a quatro ondas de calor por ano, o que reforça a possibilidade de novos episódios extremos nas próximas semanas.
Calor extremo e risco de tempestades
Para o Inmet, uma onda de calor é caracterizada quando as temperaturas ficam pelo menos 5°C acima da média por mais de cinco dias consecutivos — critério que já está sendo atendido em São Paulo e no Rio de Janeiro e deve seguir até o dia 29.
Apesar do calor persistente, o bloqueio atmosférico também cria um cenário paradoxal. Caso uma frente fria consiga romper essa barreira, há risco de tempestades intensas, com grande volume de chuva concentrado em curto espaço de tempo, elevando o alerta para transtornos urbanos.






Deixe um comentário