Carlo Ancelotti aceitou o convite para comandar a seleção brasileira mesmo ciente de que Ednaldo Rodrigues poderia ser afastado da presidência da CBF — o que se concretizou nesta quinta-feira (15), após decisão do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Segundo a sentença, o vice-presidente Fernando Sarney deverá assumir o comando da entidade temporariamente, com a missão de convocar novas eleições.
As negociações entre Ancelotti e a Confederação ocorreram justamente durante o auge da crise que enfraqueceu politicamente Ednaldo, alvo de disputas internas e ações judiciais. Ainda assim, o treinador italiano decidiu formalizar o acordo, mesmo sabendo que, na prática, poderia trabalhar com um novo presidente com quem não teve qualquer diálogo prévio.
A decisão de Ancelotti, considerada ousada, informa Lauro Jardim em sua coluna no Globo, teve como respaldo a atuação de interlocutores da oposição ao então presidente da CBF. Esses intermediários asseguraram ao técnico que seu nome era uma “unanimidade” entre os diferentes grupos que compõem o alto escalão da entidade, o que lhe garantiria estabilidade no cargo independentemente de mudanças na cúpula.
O entendimento do treinador e de seus representantes foi de que o respaldo institucional à sua contratação transcendia disputas internas ou nomes específicos no comando da CBF. Com isso, Ancelotti optou por seguir em frente, apostando na solidez do apoio interno.
Ainda este ano, a seleção brasileira e o Real Madrid, clube atualmente dirigido por Ancelotti, deverão se enfrentar em amistoso, como parte do cronograma de transição do técnico ao comando da seleção.





