A primeira semana de Jair Bolsonaro na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, foi marcada por visitas familiares, refeições enviadas de casa, longas horas de televisão e um estado emocional descrito por aliados como uma combinação de sensibilidade e indignação, informa reportagem do portal UOL. O ex-presidente foi preso por ordem do ministro Alexandre de Moraes e permanece em cela especial na sede da PF.
Michelle Bolsonaro assumiu pessoalmente a rotina alimentar do marido. Ela deixou de frequentar pela manhã a sede do PL para preparar marmitas e enviar diariamente o almoço. Segundo Bolsonaro, ela sempre teve ascendência sobre ele quando o assunto é disciplina e cuidados com a saúde.
Os médicos que o acompanham aproveitaram a situação para reforçar orientações. Em conjunto com Michelle, tentam convencê-lo a mastigar devagar e seguir a dieta prescrita, o que ajuda a digestão e reduz os episódios de soluço que ele apresenta com frequência.
Autorização de Moraes e envio das marmitas
O envio de alimentos e itens pessoais só foi autorizado após decisão de Alexandre de Moraes, que acolheu pedido da defesa alegando necessidade de alimentação especial. A família organizou uma rede de confiança para levar as encomendas: Eduardo Torres, irmão de Michelle; Marcus Ibiapina, ex-assessor da Presidência; e Kelso Colnago, ex-funcionário da Vice-Presidência.
Além das refeições, Michelle tem enviado bebidas isotônicas e medicamentos. A primeira entrega recebida pela PF, na manhã da prisão, foi justamente uma cesta com remédios, registrada às 8h05 — pouco após o início da operação que levou Bolsonaro à Superintendência.
Os medicamentos foram transportados por agentes da PF. Em uma das viaturas descaracterizadas, caixas e frascos estavam no colo de um policial no banco do carona. O ex-presidente não relatou dores nem desconfortos durante o exame de corpo de delito. O laudo não foi divulgado por Moraes, uma forma de preservar sua intimidade.
Preocupação com o sono e visitas familiares
Flávio Bolsonaro demonstrou preocupação com o sono do pai. Segundo o senador, as sequelas da facada provocam refluxo e risco de aspiração de líquidos quando Bolsonaro dorme de barriga para cima. Ele relatou que Michelle o virava constantemente durante a noite. Também disse que o pai tem assistido a muita televisão dentro da cela.
Michelle o visitou duas vezes na primeira semana. Ela estava no Ceará, para um evento do PL Mulher, quando soube da prisão. Em sua primeira manifestação pública, afirmou nas redes sociais: “São dias difíceis, mas o meu coração permanece em paz”.
Filhos relatam indignação e pouco apetite
Carlos, Jair Renan e Flávio estiveram com o pai ao longo da semana. Flávio levou o livro “Metanoia – A Chave Está em Sua Mente”, do bispo JB Carvalho. Jair Renan contou que entregou livros e um caça-palavras. “Conversamos muito sobre futebol. Tentei distrair a cabeça do meu velho”, afirmou ao deixar a PF.
Os filhos disseram que Bolsonaro está “sensível” e “indignado”. Flávio afirmou que ele ainda reclama da prisão e de suposta perseguição judicial. Carlos disse que o pai tem comido pouco. “Uma hora isso vai acabar desaguando num momento que pode ficar ruim para ele e isso preocupa a família”, relatou.
Articulação política continua na cadeia
As conversas com Flávio e Carlos também envolveram política. A prisão trouxe preocupação ao núcleo bolsonarista sobre possível abalo na coesão do grupo. A pedido de Valdemar Costa Neto, presidente do PL, foi realizada uma reunião com deputados e senadores para alinhar orientações.
Michelle, Flávio, Carlos e Valdemar falaram aos parlamentares. As instruções foram claras: não discutir antecipação da escolha do candidato da direita para 2026 e não realizar convocações que sugerissem “parar o Brasil”.
O objetivo é reduzir tensões com Alexandre de Moraes e evitar ações radicais protagonizadas por novatos que buscam visibilidade para disputar cargos em 2026.
Entre aliados, está consolidado que Flávio será a voz oficial de Bolsonaro enquanto ele permanecer preso, repassando recados diretos do pai, inclusive sobre articulações como escolhas para candidaturas ao Senado, que devem passar por lideranças locais.
Visitas sob controle do STF
Todas as visitas precisam ser autorizadas por Moraes, salvo as de advogados e médicos particulares, que têm trânsito livre. Familiares dependem de autorização formal, e cada encontro é previamente comunicado e supervisionado pela equipe jurídica do ex-presidente.






Deixe um comentário