Romário faz campanha contra o próprio partido pelo interior do Rio e aumenta desconforto no PL

Em ao menos sete cidades, do Norte à Baixada Fluminense, senador está em palanques opostos ao de correligionários

Romário faz campanha para candidatos no estado do Rio: Dudu (Solidariedade) em Itatiaia e Max Lemos (PDT) em Queimados — Foto: Divulgação

Após declarar apoio à reeleição do prefeito Eduardo Paes (PSD) na capital do Rio de Janeiro, o senador Romário (PL) continua a contrariar os interesses de seu partido em outros municípios do estado. Em ao menos sete cidades, do Norte à Baixada Fluminense, Romário está em palanques opostos ao PL. Em contrapartida, apoia três candidatos que receberam a benção do PSD de Paes.

No mês passado, o senador afirmou que não havia sido convidado para a campanha do candidato bolsonarista no Rio, Alexandre Ramagem, o que gerou uma crise no PL. Na ocasião, o prefeito Eduardo Paes chegou a convidá-lo para se filiar ao PSD:

— Ter o senador Romário ao nosso lado no PSD seria uma enorme honra. Tapete vermelho para ele, e todos nós aqui no Rio em posição de sentido — disse o prefeito, à época, ao GLOBO.

Os candidatos no interior do estado que recebem o senador em agendas de campanha estão em Itatiaia, Queimados, Búzios, Macaé, São Francisco de Itabapoana, Miracema e Itaperuna. Integrantes do PL afirmam que a repetição da infidelidade em outros municípios aumenta o desconforto, mas encaram o cenário como esperado, uma vez que o senador sempre foi um político independente.

Articuladores reforçam que não há grandes mágoas: Romário tem o apoio irrestrito do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, e seu irmão, Ronaldo Farias, é uma das apostas da legenda para a Câmara Municipal.

A agenda mais recente com um opositor da sigla ocorreu na segunda-feira, em Itatiaia. Na cidade, Romário apoia a eleição do ex-prefeito Dudu (Solidariedade), que concorre em coligação formada por dez partidos. O PL, contudo, não é uma dessas siglas, e lançou Kaio do Diogo Balieiro.

Kaio é da ala do PL mais próxima ao governador Cláudio Castro. Assim como Castro fez em 2022, o candidato não evoca a imagem do ex-presidente Jair Bolsonaro em sua campanha.

A postura é diferente da de Rafael Aguiar, que concorre pelo PL em Búzios, na Região dos Lagos. Bolsonarista de carteirinha, Aguiar foi preterido pelo senador, que está junto com o prefeito Alexandre Martins (Republicanos).

— Alexandre tem mostrado, durante essa gestão, que sabe cuidar de Búzios e está pronto para fazer a cidade crescer ainda mais — diz Romário.

Outro candidato do PL que não tem o apoio do parlamentar é Nel, em Itaperuna. O senador está no palanque de reeleição de Alfredão (União Brasil).

Em Queimados, quem tem o endosso de Romário e do PSD de Paes é o deputado federal e ex-prefeito por dois mandatos Max Lemos (PDT). Na cidade localizada na região metropolitana, o PL apoia a reeleição do prefeito Glauco Kaizer (União). A campanha do senador a favor do pedetista é pautada no retorno dele à gestão para “consertar o que está errado”.

— É muito importante o apoio do senador Romário porque, além do prestígio popular, ele tem se demonstrado um grande parlamentar e tem compromisso em ajudar a recuperar a cidade, principalmente na área da saúde — afirmou Lemos ao GLOBO.

O caso mais peculiar de descompasso entre o senador e o PL ocorre em Macaé, no Norte Fluminense. O partido chegou a ensaiar lançar a candidatura de João Lemos, que desistiu para concorrer à Câmara Municipal.

Apoiando a esquerda

Articuladores afirmam que Lemos não disputa a cadeira municipal por não ter se viabilizado, pontuando 1% nas pesquisas internas. Walberth Rezende (Cidadania), atual prefeito e apoiado por Romário, não tem o endosso da sigla por ser considerado de esquerda. Uma resolução interna impede alianças com postulantes deste campo.

Em São Francisco de Itabapoana, o senador faz campanha para a ex-vereadora Yara Cinthia (Solidariedade). Seu partido dá sustentação para o ex-prefeito Pedrinho Cherene (União Brasil). Até recentemente, Cherene era considerado inelegível por suas contas terem sido reprovadas em 2016, quando chefiava o município. Apesar da disputa judicial, teve seu registro deferido.

O cenário de dissonância se repete em Miracema, município ao Noroeste do estado. Romário apoia Alessandra (Republicanos) que está coligada com partidos da esquerda, a exemplo da federação PT-PV-PCdoB. O PL está com Charles Magalhães, do Progressistas.

Com informações de O Globo

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