Ramagem minimiza apoio de Romário a Paes: ‘Os outros dois senadores do PL estão comigo’

Ex-jogador comunicou à Executiva Nacional da legenda que não apoiaria o candidato bolsonarista

O candidato à prefeitura do Rio Alexandre Ramagem (PL) minimizou o apoio do senador Romário (PL) ao seu adversário, o prefeito Eduardo Paes (PSD). Ao ser questionado, ele afirmou que não vê problema na decisão do correligionário.

— Eu conheço o Romário, sei da relação que ele tem com o Paes. Mas toda a base do PL está comigo. Os outros dois senadores, deputados, então está tudo bem — disse.

O apoio do senador Romário (PL) à campanha de reeleição de Eduardo Paes (PSD) para a prefeitura do Rio gerou mal-estar no partido do ex-presidente Jair Bolsonaro. De acordo com membros do PL, Romário comunicou à Executiva Nacional da legenda há cerca de um mês que não apoiaria o candidato bolsonarista e, por isto, deixou de ser convidado para atividades de campanha de Ramagem.

A decisão fez com que crescesse a antipatia dos membros da família Bolsonaro ao ex-jogador de futebol, que o veem como “desgarrado” dos valores bolsonaristas. Neste momento, a ala mais próxima ao clã Bolsonaro não mantém nenhum contato com o senador. Romário, entretanto, conduz seus diálogos com o presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto.

Como pano de fundo para a opção por Paes, estariam indicações e cargos na prefeitura do Rio. Influente na Secretaria da Pessoa com Deficiência, Romário teria sido decisivo, por exemplo, na escolha de Helena Werneck para o comando da pasta. A secretária, inclusive, foi homenageada pelo senador no ano passado, quando foi indicada por ele ao Prêmio Brasil Mais Inclusão. Ao publicar uma foto dela nas suas redes sociais, Romário faz deferência ao trabalho de Helena e enumera feitos da secretaria.

Como pano de fundo para a opção por Paes, estariam indicações e cargos na prefeitura do Rio. Influente na Secretaria da Pessoa com Deficiência, Romário teria sido decisivo, por exemplo, na escolha de Helena Werneck para o comando da pasta.

A ausência de Romário foi percebida na manhã da última sexta-feira, no primeiro dia de campanha de Ramagem, quando os dois outros senadores do PL — Flávio Bolsonaro e Carlos Portinho — caminharam com o ex-chefe da Abin na Central do Brasil.

— Realmente não fui convidado, mas sou Eduardo [Paes] — afirma o ex-jogador. — Todo mundo sabe da minha relação com o prefeito. Não sei se ele quer que eu participe da campanha dele ou se terei tempo para isso, mas meu voto é no Eduardo.

Campanha

Para o primeiro fim de semana da campanha, Ramagem participou de um evento com moradores da Zona Oeste. O evento aconteceu em uma praça pública no bairro de Cosmos. Em seu discurso, ele repetiu as estratégias do primeiro dia de campanha: se colocou como o candidato de Jair Bolsonaro e prometeu assumir responsabilidade pela segurança pública.

— O carioca está com medo na rua. O cidadão de bem está ficando sitiado em casa. Nós vamos sentar com a PM, Civil e Governo e planejar a segurança. Vai ser nossa responsabilidade — afirmou ele.

Ramagem também disse que não se incomoda de ainda não ser muito conhecido pelos cariocas e que espera ver o cenário mudar no decorrer da campanha.

Na sexta-feira, o candidato lançou a campanha na Central do Brasil e depois cumpriu agenda em Campo Grande e Bangu, na Zona Oeste. Este é o segundo dia seguido que ele escolhe a região para realizar os eventos de sua campanha, movimento que deve continuar nos próximos meses.

Antes da chegada de Ramagem, o carro de som de onde o candidato falaria se transformou em palco para um “show” evangélico. Um homem cantou hinos famosos e foi acompanhado por moradores que aguardavam o ex-presidente da Abin.

Com informações de O Globo

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