O atual líder das pesquisas, Romário, e o candidato do PSB, Alessandro Molon, se recusaram a participar de debate promovido pela Rádio Tupi, daqui a pouco às 11 h, com os candidatos ao Senado. Participam apenas a candidata do União Brasil, Clarissa Garotinho, e o candidato do PT, André Ceciliano.
A ausência de Romário não causa surpresa. Como mostrou no exercício do mandato, ele nada de substantivo realizou durante oito anos em Brasília. Como Senador da República jogou parado, com desempenho medíocre. Elegeu-se em 2014 como celebridade dos gramados. Agora, tenta reeleger-se submergindo, fugindo do confronto com os concorrentes para evitar a comparação entre o seu absoluto despreparo e a trajetória de realizações dos adversários. Tenta vencer se escondendo, valendo-se ainda da fama de artilheiro. É adepto confesso da política de avestruz.
O mais estranho, contudo, foi a decisão de Alessandro Molon, o candidato do PSB, queridinho de uma parte da esquerda carioca, especialmente os de viés moralista, de inspiração lacerdista, que fazem profissão de fé marxista, na praça São Salvador ou em Ipanema.
O candidato do PSB se gaba de militância em defesa de valores democráticos; exibe em seu currículo discursos candentes de apologia ao estado democrático de direito. Ora, a democracia exige controvérsia, decorre da troca de posições em busca da convergência, é resultado de uma construção dialética em que o debate é parte fundamental.
Ao recusá-lo, Molon mostra que seu discurso não tem conexão com a prática. Pelo visto, para ele, a democracia é apenas uma peça alegórica para lustrar a sua imagem pública. Que nesta eleição está se distorcendo em caricatura. Primeiro, por não cumprir a palavra, não honrando acordo. Agora, por também fugir do confronto de ideias.





