O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), anunciou nesta quarta-feira (21) que desistiu da pré-candidatura ao Governo do Rio Grande do Norte para se dedicar à campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A decisão foi comunicada por meio de nota oficial e altera o tabuleiro eleitoral no estado.
Marinho deverá atuar na coordenação da campanha de Flávio, embora o senador potiguar não tenha detalhado publicamente quais funções exercerá no projeto eleitoral do aliado, informa a Folha de S.Paulo.
Pedido de Jair Bolsonaro e contexto político
Na nota divulgada à imprensa, Rogério Marinho afirma que a mudança de planos ocorreu após um pedido direto do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), preso após condenação por tentativa de golpe. O senador classifica a prisão como injusta e afirma que o momento político foi determinante para sua decisão.
“Neste momento difícil, ele me pede que me some à luta de seu filho, Flávio, para que juntos possamos resgatar o país. A gratidão, a solidariedade e a lealdade a Jair Bolsonaro e ao que ele representa definem a minha decisão”, escreveu Marinho. Em outro trecho, afirmou: “Abro mão da minha candidatura e do sonho de governar o Rio Grande do Norte para me somar à luta de milhões de brasileiros que compreenderam que derrotar o PT é uma necessidade histórica para salvar o Brasil”.
Mandato garantido e posição no PL
Marinho está no meio do mandato como senador, o que lhe assegura permanência no cargo até o início de 2031. Além disso, ocupa o posto de secretário-geral do PL, partido que abriga Jair Bolsonaro e concentra a maior parte de seus aliados no Congresso.
Em 2023, o senador potiguar chegou a disputar a presidência do Senado, mas foi derrotado por Rodrigo Pacheco (PSD-MG). Agora, ao abrir mão da disputa estadual, reforça o núcleo político responsável por articular a estratégia nacional do bolsonarismo.
Estratégia para o Senado e pressão sobre o STF
A decisão também se insere no plano eleitoral do grupo de Jair Bolsonaro de ampliar a bancada no Senado em 2026. A meta é conquistar o maior número possível de cadeiras para aumentar o poder de influência sobre o Congresso e pressionar o Supremo Tribunal Federal (STF).
A corte é alvo frequente de críticas do bolsonarismo, sobretudo por ter condenado e determinado a prisão do ex-presidente. O discurso de aliados associa a eleição de senadores ao reequilíbrio entre os Poderes.
Flávio comemora e reforça discurso eleitoral
Flávio Bolsonaro comemorou a decisão em vídeo divulgado nas redes sociais. Segundo ele, a presença de Rogério Marinho fortalece a estrutura da campanha presidencial. “O Rio Grande do Norte vai estar contemplado, ainda mais, com o Rogério Marinho junto com a gente nesse grande time que eu pretendo montar para recolocar o Brasil no caminho da prosperidade”, afirmou.
O pré-candidato também reconheceu o impacto da decisão entre eleitores potiguares, mas disse que a escolha foi estratégica. “Eu sei que o coração de vocês está apertado, mas ele está fazendo uma escolha pelo Brasil para que, a partir de 2027, possamos resgatar esse país das garras do partido das trevas”, declarou.
Aproximação antiga e articulações da direita
A aproximação entre Flávio Bolsonaro e Rogério Marinho não é recente. Em dezembro, o senador do Rio de Janeiro disse à Folha que gostaria de ter Marinho como seu “braço-direito” e coordenador de campanha. À época, Marinho afirmou que ainda avaliaria a proposta com seu grupo político no Rio Grande do Norte.
O lançamento de Flávio como candidato ao Planalto ocorreu após a prisão de Jair Bolsonaro, que segue como principal liderança da direita no país. Apesar disso, o campo conservador ainda não está unificado. O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), mantém sua pré-candidatura, enquanto setores da direita também defendem o nome do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que cancelou uma visita que faria a Bolsonaro na prisão, inicialmente prevista para esta quinta-feira.






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