Rodrigo Neves é eleito para o terceiro mandato como prefeito de Niterói

Com 100% das urnas apuradas, candidato do PDT obteve 57,20% dos votos contra 42,80% de Carlos Jordy, do PL.

Rodrigo Neves vai retornar à Prefeitura de Niterói a partir do dia 1º de janeiro. O candidato do PDT foi eleito para seu terceiro mandato após derrotar Carlos Jordy, do PL, neste domingo (27). Com 100%  das urnas apuradas, o pedetista obteve 57,20%  dos votos contra 42,80% de seu adversário.  O futuro prefeito anunciou que vai conceder uma entrevista coletiva amanhã (28), às 10h.

Através de suas redes sociais, Rodrigo agradeceu a vitória.

“OBRIGADO, NITERÓI! Vencemos a eleição! Vitória da democracia, da boa gestão e do compromisso com a qualidade de vida de todos os niteroienses! Hoje é um dia muito especial, e quero agradecer a todos que saíram de casa para votar em nosso projeto. Sou imensamente grato pela confiança de cada um, e é uma enorme felicidade receber todo esse apoio e carinho ao longo dessa jornada”, escreveu.

Rodrigo Neves vai assumir o seu terceiro mandato como prefeito de Niterói, feito só alcançado – e superado – por Jorge Roberto Silveira, que foi eleito quatro vezes (1988,1998, 2000 e 2008). Formado em Ciências Sociais pela Universidade Federal Fluminense, Rodrigo nasceu em São Gonçalo e cresceu no bairro do Fonseca, na Zona Norte de Niterói. Ele é um dos quatro filhos de Edison Rodrigues Barreto e Luiza Neves Barreto, ambos professores que lecionaram por décadas em instituições de ensino do município. Seu pai, falecido em março de 2021, foi reconhecido como uma lenda no ensino de matemática, tanto na rede pública quanto na privada, e participou da fundação do antigo Colégio São José, hoje Seminário Arquidiocesano de Niterói, no bairro São Lourenço. Sua mãe, além de professora, também foi diretora de escolas públicas na Zona Norte do município.

Rodrigo concluiu sua formação educacional básica em Niterói, tendo estudado no Instituto Maia Vinagre e nos colégios Acadêmico e Itapuca. Foi neste último, durante o ensino médio, que ele despertou interesse pela política, tornando-se líder da União Niteroiense dos Estudantes (UNES). Também foi nesse período que ele passou a atuar nas comunidades mais pobres do município, ao ingressar na Pastoral da Juventude da Igreja Católica.

À frente do movimento estudantil, Rodrigo participou de manifestações políticas para cobrar gratuidade nos ônibus para alunos de escolas e universidades públicas da cidade, contra o aumento abusivo das mensalidades escolares e foi um dos líderes do “Movimento Caras-Pintadas”.

Ainda na adolescência, iniciou seu relacionamento com a pedagoga Fernanda Sixel, com quem é casado. Dessa união, tornou-se pai de três filhos: Mayara, Carlos Eduardo e Marina, além de avô de Manuela e Vicente, que nasceu este ano durante a campanha.

Carreira política

A carreira política de Rodrigo Neves teve início oficialmente em 1996, quando se candidatou a vereador em Niterói pelo Partido dos Trabalhadores. Com 20 anos de idade, embora não tenha sido eleito inicialmente, ficou na primeira suplência com 1.997 votos e assumiu a Secretaria de Assistência Social de Niterói. Em 1998, tornou-se o vereador mais jovem da cidade, com apenas 21 anos. Durante seu mandato, lutou pela meia-entrada em eventos culturais e pelo passe livre nos ônibus. Foi também o responsável pela iniciativa que estabeleceu a criação do Conselho Municipal dos Direitos das Pessoas Portadoras de Deficiência.

Em 2000, foi reeleito vereador com 3.487 votos. Durante seu mandato, assumiu a Secretaria de Integração e Cidadania, através da qual esteve à frente de projetos voltados à inclusão social e à melhoria das condições de vida da população niteroiense. Entre esses, houve projetos para o acolhimento de menores em situação de vulnerabilidade social e de atendimento móvel para portadores de deficiência. Em 2004, Rodrigo foi novamente reeleito vereador, desta vez com 6.086 votos, a maior votação daquela eleição.[24]

Em 2006, foi eleito deputado estadual com 41.288 votos, sendo o mais votado em Niterói. Como deputado, trabalhou para igualar os direitos de Niterói aos do Rio de Janeiro na participação dos royalties de petróleo, o que aumentou significativamente a arrecadação da cidade. Durante o mandato, também presidiu a comissão especial criada pela Alerj para acompanhar as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Foi reeleito como deputado estadual em 2010. Em 2011, assumiu a Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos, onde atuou para minimizar os impactos da tragédia na Região Serrana, distribuindo donativos para os desabrigados e coordenando o pagamento do aluguel social. Como secretário, lançou os programas Renda Melhor e Renda Melhor Jovem, além de inaugurar o Centro de Referência da Juventude e revitalizar o Restaurante Cidadão de Niterói.

Entre seus mandatos como deputado estadual, Neves disputou pela primeira vez o cargo de prefeito de Niterói em 2008, conquistando a segunda posição. Em 2012, Rodrigo Neves foi eleito, no segundo turno, prefeito de Niterói com 132.001 votos (52,55%).

Durante seu primeiro mandato, investiu na recuperação de áreas verdes e na criação de novos espaços públicos. Entre as obras de sua primeira gestão, incluem-se a criação do Centro Integrado de Segurança Pública (CISP), a revitalização do Horto do Fonseca, a reforma dos hospitais Getulinho e Mário Monteiro, e a construção do Skatepark de São Francisco, então a terceira maior pista do país. Em 2015, ele iniciou as obras da Transoceânica, um ambicioso projeto de mobilidade urbana que mudou a geografia de Niterói, integrando a Zona Sul à Região Oceânica.

Em 2016, pelo Partido Verde, Rodrigo foi reeleito prefeito com 130.473 votos (58,58%) no segundo turno, sendo o único prefeito da Região Metropolitana do Rio de Janeiro a conseguir a reeleição naquele ano. Um dos marcos de sua gestão foi a inauguração do túnel Charitas-Cafubá, uma obra de grande importância para a mobilidade urbana na região, aguardada há sete décadas. A obra, com 1.350 metros de extensão, foi executada em 14 meses e consumiu 600 mil quilos de explosivos. Mais de 3 mil toneladas de rochas foram retiradas, das quais 70% foram reutilizadas na obra da Transoceânica.

Já filiado ao Partido Democrático Trabalhista (PDT), Neves se candidatou ao cargo de governador do Rio de Janeiro em 2022. Nessa candidatura, teve o ex-presidente da OAB, Felipe Santa Cruz, como candidato a vice. Ele ficou em terceiro lugar na disputa eleitoral, com 672.291 votos. Neves foi o candidato mais votado em Niterói, único município do estado onde o governador reeleito Cláudio Castro não obteve a maioria dos votos. Em janeiro de 2023, a convite do prefeito Axel Grael, Rodrigo assumiu a Secretaria Executiva da Prefeitura de Niterói. Deixou o cargo em abril de 2024, ao ser indicado como pré-candidato à prefeitura do município, concorrendo pela quarta vez ao posto. Sua candidatura foi oficializada pelo PDT, tendo como vice de sua chapa a atleta e medalhista olímpica Isabel Swan, filiada ao Partido Verde.

Prêmios e prisão

Em 2016, Rodrigo Neves recebeu o 9º Prêmio Prefeito Empreendedor do Sebrae pelo projeto “Niterói Empreendedora – Construindo a Melhor Cidade para se Viver e Ser Feliz”. Já em outubro de 2020, ele recebeu um prêmio de reconhecimento da Organização das Nações Unidas, do Congresso Smart City e da Fira de Barcelona pela atuação de Niterói no combate à pandemia de Covid-19. O município foi considerado uma das quatro cidades mais inteligentes da América Latina pela resposta rápida à pandemia.

Sua gestão levou Niterói a alcançar a melhor colocação no ranking estadual de transparência do Ministério Público Federal (MPF) em 2015. Já em 2017, o município obteve nota 10 na Escala Brasil Transparente, realizada pela Controladoria-Geral da União (CGU), que tem como objetivo medir a transparência pública de estados e municípios brasileiros.

Em dezembro de 2018, Rodrigo Neves foi preso preventivamente sob a acusação de corrupção e organização criminosa, num dos desdobramentos da Operação Lava Jato. O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MP-RJ) se baseou numa delação premiada do empresário Marcelo Traça, ex-presidente da Fetranspor, que citava o nome de Rodrigo num suposto esquema que envolveria o pagamento de mais de 10 milhões de reais em propina a agentes públicos da cidade

A prisão de Rodrigo foi decretada pelo desembargador Luiz Noronha Dantas e realizada no dia 10 de dezembro de 2018, em uma operação batizada de Alameda. A decisão também determinou o afastamento de Rodrigo do cargo de prefeito eleito de Niterói, em seu segundo mandato.

Preso às vésperas do recesso judiciário, Rodrigo teve seu pedido de habeas corpus negado e ficou detido por 93 dias. Em 12 de março de 2019, o Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ) concedeu habeas corpus por 6 votos a 1, devido à falta de provas. Assim, no dia 13 de março de 2019, Rodrigo Neves foi libertado e, no dia seguinte, reassumiu a Prefeitura de Niterói.

Em julho de 2022, a 3ª Vara Cível da Comarca de Niterói extinguiu o processo a pedido do próprio MPRJ, que não encontrou evidências para sustentar a acusação. Em 13 de dezembro de 2023, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou, por unanimidade, um recurso do Ministério Público e manteve a rejeição da denúncia contra Rodrigo Neves pelo crime de organização criminosa.

Rodrigo foi defendido pelo advogado criminalista Técio Lins e Silva, que destacou a natureza política da prisão. Juristas como Carol Proner, Luiz Eduardo Cardozo e Tarso Genro consideraram a prisão de Rodrigo como um caso de lawfare, onde a Justiça é usada de forma ilegítima para atingir adversários políticos.

O caso foi retratado na obra Golpe Derrotado — A Verdade Sobre a Conspiração para Destruir Rodrigo Neves e Capturar a Prefeitura de Niterói, do jornalista PH de Noronha. Nela, o jornalista aponta uma série de ilegalidades da operação do Ministério Público do Rio que levou Neves à prisão.

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