RJ tem programa de castração de cães e gatos que já realizou 270 mil atendimentos em um ano e meio e é um dos maiores do mundo

Tutora de 20 animais, entre cães e gatos, Katia Andrade consome boa parte de sua renda com os cuidados que envolvem idas a veterinários, medicamentos e alimentação dos pets. A moradora de Inhaúma, na Zona Norte da Cidade do Rio, ficou aliviada com a chegada do castramóvel à região, que permitiu a castração gratuita de…

Tutora de 20 animais, entre cães e gatos, Katia Andrade consome boa parte de sua renda com os cuidados que envolvem idas a veterinários, medicamentos e alimentação dos pets. A moradora de Inhaúma, na Zona Norte da Cidade do Rio, ficou aliviada com a chegada do castramóvel à região, que permitiu a castração gratuita de todos os seus animais.

— Castrei mais de 20 animais pelo programa. O último foi Fred, que apareceu na minha porta muito magrinho, debilitado e todo ferido. Conquistei a confiança dele e curei suas feridas. Levei para castrar, em maio, no estacionamento do shopping. Naquele mesmo dia decidi adotá-lo – conta a cuidadora.

Há mais de 15 anos resgatando animais abandonados das ruas e em situação de maus-tratos, Kátia conta que é comum os protetores enfrentarem problemas financeiros para arcar com todas as despesas dos pets, impossibilitando assim a realização da cirurgia de castração. Em média, o procedimento pode custar cerca de R$ 2 mil em clínicas particulares. A economia feita através da castração gratuita possibilitou que outros animais pudessem ser ajudados por ela.

— Faço muita coisa além do meu alcance, mas é gratificante ajudar os animais. Me sinto realizada. Só aqui na porta da minha casa alimento sete animais. Faço por amor e não meço esforços para ajudar essa galerinha – diz.

O programa, chamado RJPet, é desenvolvido pela subsecretaria de Proteção e Bem-Estar Animal, ligada à secretaria de estado de Saúde (SES), e já fez mais de 270 mil atendimentos, desde que foi lançado, há um ano e meio. Segundo o governo do estado, o programa de castração itinerante, considerado um dos maiores do mundo, realizou já realizou este ano 60 mil procedimentos.

A castração é extremamente benéfica para a saúde dos animais, como explica a veterinária do RJPet, Michelle Lussac. Nas fêmeas, a retirada do aparelho reprodutor reduz infecções uterinas, como a piometra – doença silenciosa do útero que pode levar à morte. Já nos machos, o procedimento diminui a probabilidade de problemas de próstata e de câncer de testículo. Além do cuidado com a saúde dos bichanos, é um ato de responsabilidade coletiva, porque também previne ninhadas indesejadas, evitando que os filhotes sejam abandonados ou ainda sofram maus-tratos.

— A castração diminui a quantidade de animais na rua. Quanto mais animais temos nas ruas, maior é o aumento de doenças. Quando diminuímos a quantidade de animais abandonados, reduzimos riscos de doenças circulantes, isso é bom tanto para os animais quanto para nós. É uma questão de saúde pública muito importante – afirma a veterinária.

A auxiliar de serviços gerais Ana Lúcia Bezerra atua voluntariamente no cuidado dos animais abandonados do Piscinão de Ramos e participa de uma ONG de resgate de pets no Complexo da Maré. Ela ajuda a divulgar a importância da castração nos locais em que atua e comemora a oferta do serviço pelo estado.

— Eu aviso para os meus amigos que irei até o castramóvel e recolho os animais para castrar. Trabalho o dia inteiro, mas vou recolhendo os animais para trazer para a cirurgia. Tinha veterinário que cobrava preço popular, mas, mesmo assim, muita gente na comunidade não tem condições de pagar o mínimo. Gostaria que outros Estados do Brasil aderissem ao projeto – sugere.

Desde dezembro de 2021, o governo do estado do Rio de Janeiro oferece o programa de castração gratuita. Os castramóveis contam com uma equipe de 25 profissionais, entre veterinários, técnicos e auxiliares, atuando desde a castração até a devolução do animal para o tutor. Equipamentos itinerantes rodam os 92 municípios do estado, permanecendo em cada um deles por trinta dias.

O RJPet fica à frente de gigantes do ramo, como a Humane Society International – Índia (HSI), que realizou 50 mil cirurgias de esterilização de cães de rua na cidade de Lucknow. Ou até mesmo da MN SNAP, programa de castração móvel dos EUA, que por meio de cirurgias de baixo custo completou mais de 188 mil intervenções. Para os que não podem comparecer aos locais dos castramóveis, existe a opção de marcar a intervenção em uma das clínicas veterinárias conveniadas, espalhadas por todas as regiões do estado.

O número de animais de estimação em condição de vulnerabilidade mais do que dobrou no Brasil entre os anos de 2018 e 2020. Esse é um dos resultados da última pesquisa Animais em Condição de Vulnerabilidade (ACV), realizada pelo Instituto Pet Brasil (IPB). No primeiro levantamento, que teve como ano base 2018, o número de animais em condição de vulnerabilidade chegou a 3,9 milhões no país. Já em 2020, ano do início da pandemia, esse número saltou para 8,8 milhões – um crescimento de 126%.

A pesquisa considera como animais em condição de vulnerabilidade aqueles que vivem sob tutela das famílias classificadas abaixo da linha de pobreza ou que vivem nas ruas, mas recebem cuidados de pessoas ao redor. Do total da população, cães representam 69,4% (6,1 milhões), enquanto os gatos correspondem a 30,6% (2,7 milhões). Em 2018, cães eram 69% (2,69 milhões), enquanto os gatos correspondiam a 31% (1,21 milhão).

Com informações do Extra online.

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