Mais de um ano após a maior tragédia climática da história do Rio Grande do Sul, fortes chuvas voltaram a castigar o estado, provocando o transbordamento dos rios Taquari e Caí e atingindo cidades ainda em processo de reconstrução. De acordo com reportagem da Folha de S.Paulo, publicada nesta quarta-feira (18), ao menos duas pessoas morreram em decorrência das tempestades, e mais de 2 mil moradores estão desalojados ou desabrigados.
Em Lajeado, no Vale do Taquari, o rio que dá nome à região ultrapassou a cota de inundação e alcançou 19,24 metros às 14h desta quarta, bem acima da média histórica de 13 metros. Em maio de 2024, o nível do Taquari havia ultrapassado os 30 metros, causando inundações severas que chegaram ao terceiro andar de prédios. Em Muçum, outro município fortemente afetado na tragédia do ano passado, o nível do rio chegou a 11 metros, abaixo da cota de inundação, e apresentou tendência de queda.
No Vale do Caí, a situação também preocupa. Em São Sebastião do Caí, o rio chegou a 10,13 metros — 13 centímetros acima da cota de alerta. Em Nova Petrópolis, um homem de 22 anos morreu ao ficar submerso dentro do carro quando a cabeceira de uma ponte desmoronou. Já em Candelária, a Defesa Civil confirmou a morte de uma mulher. Um terceiro desaparecido está sendo procurado pelas equipes de resgate.
Região Metropolitana de Porto Alegre já sofre com a chuva
Na região metropolitana de Porto Alegre, os volumes de chuva já causam transtornos. Em Canoas, foram registrados 69 mm de chuva em apenas quatro horas, acima da previsão de 61 mm para o dia inteiro. A prefeitura contabilizou 89 pessoas desalojadas e 28 desabrigadas, e montou um abrigo no ginásio São Luís com capacidade para 150 pessoas. Apesar dos alagamentos, o município informou que não há risco iminente de inundação.
Os serviços públicos também foram afetados. A Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) do bairro Mathias Velho teve de ser fechada por causa de alagamentos, e os atendimentos foram transferidos ao Hospital Nossa Senhora das Graças. Todas as aulas do ensino fundamental na rede municipal foram suspensas nesta quarta. Houve ainda queda de energia que paralisou, por meia hora, os motores de uma casa de bomba.
O Guaíba, em Porto Alegre, marcava 2,05 metros nesta quarta-feira, ainda abaixo da cota de inundação de 3,60 metros. Já o rio dos Sinos, em São Leopoldo, chegou a 3,44 metros, com elevação de 2,7 cm por hora. A Defesa Civil alerta que os níveis podem subir à medida que as águas dos rios Taquari e Caí avancem para o delta do Jacuí, que abastece o lago.
Desde segunda-feira (16), 51 municípios do estado relataram ocorrências relacionadas às chuvas — como queda de árvores, destelhamentos, danos em pontes e estradas, além de falhas no fornecimento de energia e água. Ao todo, 2.256 pessoas estão fora de casa, sendo 1.038 em abrigos. Jaguari é a cidade com o maior número de desabrigados, com cerca de 1.200 pessoas forçadas a deixar suas casas.





