Rio de Janeiro lidera ranking internacional de 10 destinos de inverno mais procurados por nômades digitais

Município aparece em primeiro lugar, na frente de Bangkok, na Tailândia, e Buenos Aires, na Argentina

A cidade do Rio de Janeiro liderou o ranking de 10 destinos de inverno mais procurados por nômades digitais, segundo um estudo divulgado pelo portal Aviation Direct. A publicação foi citada na 6ª edição da revista eletrônica Tendências do Turismo, elaborada pelo Ministério do Turismo, em parceria com a Embratur, divulgada na última semana. A revista reúne uma série de artigos e publicações de portais de notícias e consultorias reconhecidas internacionalmente no setor, e faz análises com as principais tendências de viagens do ano.

No quesito preferido dos nômades digitais — profissionais que trabalham remotamente, sem endereço residencial fixo —, o Rio aparece em primeiro lugar, na frente de Bangkok, na Tailândia, e Buenos Aires, na Argentina. Entre os fatores analisados, a temperatura ambiente, a qualidade da internet e os custos de vida foram determinantes para o resultado. O curador da revista eletrônica, Cristiano Borges, contou como é feito o compilado.

— A revista inclui publicações que têm destaque no setor e que utilizam consultorias reconhecidas. No caso do destino para nômades, o estudo que aponta o Rio como líder mundial analisou fatores como custo da estadia e de vida, temperatura média, velocidade de internet, e até segurança. O Rio foi a primeira, com baixo custo de vida, sob olhar estrangeiro, temperatura média agradável e boa qualidade de internet — explica Cristiano Borges, curador das publicações e servidor da Embratur.

A entrada de nômades digitais no Brasil foi regulamentada em 2022. Desde então, existe um visto específico para esses profissionais: temporário, permite até um ano de residência no país, além de garantir desconto em hotéis credenciados junto à prefeitura.

Viajando com a esposa e uma filha de 2 anos, Gonçalo Hall está morando desde dezembro na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio. De Portugal, ele é empresário na Nomad X, uma consultoria voltada para profissionais que, como ele, optaram por este estilo de vida ao redor do mundo.

— Desta vez escolhemos a Barra da Tijuca como local para ficar. Somos uma família e, por ter o condomínio fechado e uma comunidade para a nossa bebê, achamos que era o melhor lugar por enquanto. Temos amado ficar aqui. Já ficamos na Lapa, e em Laranjeiras. Mas não adorei — conta o empresário.

Evento para nômades digitais

A notícia vem em uma semana em que a cidade do Rio se torna ponto de encontro para quem adotou o mundo como escritório e concilia turismo com trabalho remoto. Nesta quarta e quinta-feira, o Rio sedia o The Nomad World (TNW), um encontro organizado pela comunidade internacional desses profissionais com apoio da Secretaria Municipal de Turismo (SMTUR-RIO).

A cidade também foi escolha de Sarah Rapp, alemã que se apaixonou pelo Rio quando viajou a primeira vez a turismo no ano passado. Ela trabalha para uma ONG global e vai ficar por cinco semanas, partindo para Miami na sequência. Junto a Gonçalo, ela é uma das profissionais que está organizando o evento. Ela volta para o Rio em setembro deste ano para morar por três meses. Já tem até voo marcado.

— Eu estive no Rio em setembro passado e me apaixonei completamente pela cidade. Aqui tem uma energia muito especial e pessoas muito talentosas, tudo no mesmo lugar. E você pode ter, ao mesmo tempo, produtividade profissional e atividades fora do trabalho com novos e velhos amigos – conta ela, que se considera cidadã global. — Nasci na Alemanha, morei em Malta por quatro anos, tenho uma casa em Viena, mas vivo mesmo pelo mundo o tempo todo.

Cerca de 300 participantes confirmaram presença, 25% deles brasileiros. Em dois dias, a conferência promove debates sobre os rumos do nomadismo digital, que acontecem no Maravalley, hub de inovação e educação do Porto Maravilha. Nos debates, os assuntos vão de empreendedorismo a inteligência artificial e futuro do trabalho remoto.

— Estamos dando continuidade ao projeto de posicionar o Rio como primeiro hub de nômades digitais da América do Sul, apresentando a Cidade Maravilhosa como a mais desejada e preparada para receber esse público. O conceito é experimentar o Rio como nômade durante uma semana, e de forma intensa — explica a secretária municipal de Turismo, Daniela Maia, que participou do evento de abertura.

Turismo consolidado

Um dos motivos para o Rio ser o preferido de diferentes públicos no Brasil e no mundo é a operação turística bem consolidada na cidade, segundo apontou o gerente de dados da Embratur, Fábio Montanheiro, que coordena a pesquisa da revista Tendências.

— O Rio é uma cidade que está há muitas décadas no imaginário do turista internacional. É um destino extremamente consolidado, não só no interesse do estrangeiro, mas nacional. As agências de turismo receptivo e o mercado hoteleiro são extremamente preparados pra receber o turista internacional. O turista que visita o Rio hoje tem satisfação entre 98% a 99%, demonstrando interesse em voltar ao Brasil — afirma Montanheiro.

Turismo híbrido: trabalho e lazer

Outra tendência observada aqui na cidade, segundo ele conta, é o turismo híbrido, quando se mistura trabalho com lazer. A pessoa vem a trabalho, e aproveita para esticar um pouco mais para se divertir nos atrativos locais.

— É um movimento que vem sendo observado no mundo inteiro, e temos visto com certa força no Brasil e no Rio. Pode ocorrer tanto numa cidade grande, como numa cidade pequena. Havia uma rigidez maior antes da pandemia, mas hoje as empresas aceitam com mais flexibilidade, algumas até estimulam esse tipo de viagem — afirma Borges.

Outros fluxos também foram impulsionados em território carioca no último ano, como a expansão do turismo esportivo.

— O futebol sul-americano foi um vetor de movimentação no Brasil. Os clubes brasileiros participam de campeonatos internacionais de futebol, e também trazem os turistas pra assistir às partidas e passear — afirma Montanheiro.

A pesquisa de tendências está sendo feita pelo segundo ano consecutivo. Os dados, segundo o presidente da Embratur, Marcelo Freixo, servirão de insumo para gestores públicos e privados e profissionais do setor.

— O turismo é uma potência, responsável por 8% do PIB brasileiro e pode ser o maior gerador de emprego e renda do país pelo tamanho da cadeia produtiva e econômica. Esses dados ajudam a qualificar a promoção do Brasil no mercado internacional, uma vez que a gente passa a entender a demanda do setor — afirma Freixo.

Com informações de O GLOBO.

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