O Reviver Centro atingiu a marca de 7.414 unidades habitacionais autorizadas na região central do Rio desde sua criação, em julho de 2021, segundo a prefeitura. Ao todo, 66 imóveis receberam aval para obras dentro do programa, que concede incentivos urbanísticos e fiscais para estimular a moradia na área.
A iniciativa conta com dois eixos principais: permitir a construção de novos empreendimentos residenciais e incentivar a conversão de edifícios comerciais ociosos em moradia — estratégia que ganhou força após o aumento da vacância corporativa no pós-pandemia.
A área de abrangência inclui os bairros do Centro, Lapa, Santo Cristo, Gamboa e Saúde, em quase seis quilômetros quadrados da Região Central, onde já existe infraestrutura consolidada de transporte, equipamentos culturais e serviços públicos.
Mudança de perfil urbano
Durante décadas, o Centro do Rio concentrou atividades administrativas, comerciais e financeiras, com grande esvaziamento populacional fora do horário comercial. O Reviver busca alterar essa lógica ao estimular a presença permanente de moradores e fomentar uma nova dinâmica econômica.
Os números indicam uma inflexão relevante no mercado imobiliário da região, onde a produção residencial havia praticamente desaparecido nas últimas décadas. Até outubro, foram licenciados 61 empreendimentos apenas na Região Central, totalizando 5.786 unidades — das quais a grande maioria é de caráter estritamente residencial. No total, a área construída autorizada já soma cerca de 318 mil metros quadrados, um volume que a região não registrava há décadas.
Além dos projetos já aprovados, a Secretaria Municipal de Planejamento Urbano possui outros 24 processos em análise para obtenção dos benefícios do programa, o que pode ampliar o estoque de moradias nos próximos anos.
Desafios de infraestrutura e zeladoria
Apesar do sucesso imobiliário, a reocupação do Centro traz à tona gargalos logísticos. Como a região foi historicamente moldada para o fluxo comercial de segunda a sexta, moradores que já ocupam as primeiras unidades entregues relatam a necessidade de ajustes na zeladoria urbana.
Entre as principais demandas levadas ao poder público estão a regularização da coleta de lixo residencial, a criação de áreas específicas para carga e descarga e o reforço no policiamento ostensivo. O desafio da prefeitura agora é garantir que a rede de serviços — como padarias, farmácias e mercados de proximidade — acompanhe a chegada dos novos vizinhos, especialmente em vias de grande fluxo como a Avenida Presidente Vargas.
Expansão do modelo
O modelo no Centro motivou a prefeitura a expandir a estratégia. No início do ano, o programa foi estendido para a Zona Norte por meio do Reviver Centro II, tendo Bonsucesso como o primeiro bairro a receber o plano de reestruturação. A ideia é replicar os incentivos de retrofit e novas construções para reocupar áreas consolidadas que possuem infraestrutura de transporte, mas sofrem com o esvaziamento imobiliário.






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