Revista Veja mostra que juiz Marcelo Bretas negociava sentença

O advogado criminalista Nythalmar Dias Ferreira, que fechou um acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR), acusa o juiz Marcelo Bretas, da Lava Jato no Rio, de negociar penas, combinar estratégias com o Ministério Público e direcionar acordos. De acordo com reportagem da revista Veja, Ferreira teria apresentado aos promotores uma gravação…

O advogado criminalista Nythalmar Dias Ferreira, que fechou um acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR), acusa o juiz Marcelo Bretas, da Lava Jato no Rio, de negociar penas, combinar estratégias com o Ministério Público e direcionar acordos. De acordo com reportagem da revista Veja, Ferreira teria apresentado aos promotores uma gravação em que Bretas fala em ‘aliviar’ a pena de Fernando Cavendish, um outro delator preso na operação Lava Jato.

No áudio, segundo a reportagem, o juiz diz a Nythalmar que havia conversado com o Ministério Público sobre um acordo e que poderia “aliviar” a pena de Cavendish caso tudo saísse como o esperado. “Você pode falar que conversei com ele, com o Leo, que fizemos uma videoconferência lá, e o procurador me garantiu que aqui mantém o interesse, aqui não vai embarreirar” diz Bretas na gravação. “E aí deixa comigo também que eu vou aliviar. Não vou botar 43 anos no cara. Cara tá assustado com os 43 anos”, diz em outro trecho do diálogo.

Bretas, ao citar os tais “43 anos”, se referia ao pânico que se espalhou entre os investigados quando ele anunciou sua decisão de condenar por corrupção o almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva, ex-presidente da Eletronuclear, a 43 anos de prisão logo no início da Lava-Jato, em 2016. A sentença imposta a Pinheiro, naquele momento a maior da operação, gerou um temor generalizado nos réus.

“Foi boa então você ter colocado 43 no Othon, né?”, elogia o advogado no diálogo gravado. Entre risadas, Bretas confirma: “É, ooo”. A conversa produziu os resultados esperados pela trinca. Logo CavendIsh começou a falar.

Na delação, o advogado revela que Marcela Bretas nutria antipatia pelo atual prefeito Eduardo Paes e que, por isto, passou a atuar para derrota-lo nas eleições de 2018, quando disputou o governo do estado. Naquele pleito, BretAS deliberadamente usou a 7ª Vara da Justiça Federal para ajudar o adversário de Paes, o ex-juiz Wilson Witzel, seu amigo, hoje afastado definitivamente do cargo de governador por corrupção.

Absolutamente parcial e imbuído do interesse espúrio de interferir nas eleições, subvertendo a ética a que deveria se pautar como magistrado, divulgou, às vésperas do primeiro turno, o conteúdo de um depoimento de ex-secretário de obras contra Paes. Tudo foi calculado, medido e implementado para distorcer a livre e democrática manifestação dos eleitores na urnas.


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