Reunião da cúpula do G20 movimenta economia do Rio de Janeiro

Reunião dos chefes de Estado, em novembro, vai reunir 55 delegações, elevando ocupação de hotéis, que já contratam temporários; bares e restaurantes também preveem movimento maior

O Rio será palco, em novembro, da 19ª Cúpula de chefes de Estado do G20, grupo que reúne as 19 maiores economias do mundo, mais União Europeia e União Africana. O evento vai ajudar a dinamizar a economia da cidade neste fim de ano, elevar a ocupação de hotéis e fomentar a contratação de mão de obra temporária.

Segundo levantamento do Visit Rio Convention Bureau, haverá 41 eventos na capital fluminense no mês que vem, que podem impactar a economia local em R$ 432,5 milhões. Deste total, R$ 32,6 milhões, com R$ 1,6 milhão em arrecadação de ISS, correspondem somente ao impacto dos 13 eventos relacionados ao G20. Os dados contemplam despesas com hospedagem, alimentação, transporte e lazer, sem considerar geração de empregos, ganhos de fornecedores e outros fatores, o que significa que a cifra pode ser ainda maior.

Além da 19ª Cúpula de chefes de Estado do G20, que será realizada no Museu de Arte Moderna (MAM) do Rio, em 18 e 19 de novembro, destacam-se as atividades do G20 Social, que vão acontecer no Boulevard Olímpico, de 14 a 16 de novembro, e do Urban 20, no Pier Mauá (Armazém Utopia), de 14 a 17 de novembro.

Para a 19ª Cúpula do G20, são esperadas 55 delegações, considerando países-membros e organizações internacionais convidadas. Segundo o Itamaraty, como o credenciamento para o evento está em curso, ainda não é possível precisar o número de participantes.

— Esse impacto na economia local vai desde o táxi que é usado, o hotel, o restaurante. Cada pessoa colocada no dia a dia da cidade dentro desses três, quatro, cinco dias causa um impacto muito grande. Vão visitar os pontos turísticos, vão sair, vão ao quiosque, vão usar o Uber. É dinheiro novo que vem para a cidade — diz Carlos Werneck, presidente-executivo do Visit Rio Convention Bureau.

Ele acrescenta que o Rio possui um grande apelo visual, com as paisagens e pontos turísticos, e que, por isso, muitas pessoas que vêm para o G20 a trabalho acabam trazendo também suas famílias para aproveitar a cidade, o que aumenta o número de turistas.

— E com isso vem a geração de empregos, que muitas vezes são temporários, mas não deixam de ser empregos que geram renda, geram receita e impostos. E não é toda cidade que tem a condição de receber eventos dessa magnitude — diz Werneck.

Hotéis com ocupação de 95%

Alfredo Lopes, presidente da Hotéis Rio, associação do setor que atua na cidade do Rio, o G20 já vem impactando na hotelaria durante todo o ano, com as diversas reuniões temáticas que já ocorreram.

— Estamos com média de 72% de ocupação na cidade, somando centro, Zona Sul e Barra. Agora, a Zona Sul já está com 86% de ocupação. E a tendência é crescer, porque esse evento tem muitas ramificações. Então, de acordo com nosso levantamento, a gente vai chegar muito próximo na Zona Sul de cerca de 95% (em novembro, com a reunião dos chefes de Estado). E a cidade deve subir de 72% para 80%, mais ou menos.

Lopes menciona que os hotéis que devem receber mais hóspedes durante o evento, como os de luxo da Zona Sul, devem contratar funcionários temporários.

— Existe a contratação de extras. Principalmente na área de bares e restaurantes dos hotéis, você contrata garçons, pessoas para limpeza. Sem dúvida alguma, muitas pessoas serão contratadas. Eu diria que mais de 600 postos de trabalho vão ser criados nos hotéis. O Fairmont, em Copacabana, tem cerca de 700 funcionários. O Sheraton tem uns 500. Mas eles vão contratar de 5% a 10% disso para a ponta, para atendimento na piscina, bar e restaurante.

Procurados, Fairmont e Sheraton preferiram não revelar números.

O hotel Hilton Copacabana, que tem 327 empregados, abriu 30 vagas temporárias, quase 10% do quadro de colaboradores, devido aos eventos de novembro. As vagas são para a área de governança e de alimentos e bebidas, que inclui cozinha. Segundo o hotel, os contratados já serão aproveitados paras as vagas temporárias de final de ano.

— Após a pandemia, estamos vivendo um momento de alta no mercado da hotelaria devido aos grandes eventos que estão acontecendo e outros que estão por vir. Esse cenário contribui com a demanda por novos profissionais, principalmente nesse período de reaquecimento do setor — explica a diretora de Recursos Humanos Cluster, Tereza Guimarães.

Outros setores também estão aproveitando a ocasião para contratar temporários, incluindo os eventos do G20 e para a alta temporada. Promovida pelo Grupo Cataratas, que está à frente de atrações turísticas como AquaRio, BioParque e Paineiras-Corcovado, a feira gratuita de empregabilidade Primeiro Passo terá participação de empresas de diversos setores e ofertará 5 mil vagas. São esperadas 20 mil pessoas no estacionamento do BioParque do Rio em 28 de outubro.

Bares e restaurantes: aquecimento concentrado

No caso do setor de bares e restaurantes, Pedro Hermeto, presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes no Rio de Janeiro (Abrasel-RJ), faz uma ressalva. Para ele, embora haja uma expectativa de aumento no movimento do setor nos dias da Cúpula do G20, será algo concentrado apenas em algumas regiões da cidade.

Ele lembra que, como será feriado, a tendência é de queda de movimento no Centro do Rio. No entanto, a expectativa é que a população, sem trabalhar, busque o lazer, sair para comer fora.

— Há uma expectativa positiva de aquecimento da economia, sem dúvida — diz ele, acrescentando que o incremento de receita estimado para restaurantes localizados nas áreas mais comerciais e turísticas, como os da Zona Sul, é de 20% a 25% no período da cúpula.

Lucas Padilha, presidente do Comitê Rio G20, explica que embora a Cúpula não tenha a magnitude de um evento como a Eco 92, ou o Rio+20, de 2012, em termos de quantidade de países participando, ela reúne mais chefes de Estado das maiores economias do mundo.

— É um fórum que reúne, por exemplo, 270 ministros ao longo de um ano em uma cidade para discutir política fiscal, política de investimentos, política tributária. O G20 torna o Rio de Janeiro uma cidade que fica no mapa do mundo como um destino para tomada de decisão.

Isso tende a trazer ganhos futuros, frisa Werneck, do Visit Rio Convention Bureau. As perspectivas são animadoras. O levantamento do Visit Rio aponta um crescimento no setor de eventos na cidade de 2023 para 2024. Neste ano, foram realizados 414 eventos até o momento, o que já representa um aumento de 28,17% em relação aos 323 ocorridos em 2023. O público cresceu 71,37%, passando de 2 milhões de pessoas para quase 5 milhões.

Entre os eventos do 2024, estão aqueles relacionados ao G20 que ocorreram ao longo do ano, mas também shows, como o da Madonna, realizado na praia de Copacabana, em maio. Em termos de receita gerada, o aumento foi de 12,27%, com um total de mais de R$ 6,42 bilhões em 2024.

— A expectativa é que o G20 impulsione ainda mais essa visibilidade e contribua para um futuro ainda mais promissor — diz frisa Werneck.

Com informações do GLOBO.

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