Réu por atropelar petista vira presidente do PL Jovem em Sergipe

Flávio Rodrigues, acusado de tentativa de homicídio em 2024, ganha espaço na sigla e reforça atuação política no estado

Réu por tentativa de homicídio após atropelar um militante durante uma manifestação política, Flávio de Oliveira Rodrigues, de 36 anos, foi escolhido para presidir o diretório do PL Jovem em Sergipe, informa O Globo.

Conhecido como “Flávio da Direita”, ele ganhou notoriedade em 2024, quando disputou uma vaga na Câmara Municipal de Aracaju e se envolveu em um episódio que terminou com um manifestante gravemente ferido, após ser arrastado por cerca de dois quilômetros preso ao capô de um veículo.

Ascensão política em meio à controvérsia

A indicação para o comando do PL Jovem foi feita pela vereadora Moana Valadares, que preside o diretório municipal do partido na capital sergipana. Ao justificar a escolha, ela destacou a trajetória de Flávio no campo conservador e sua atuação em mobilizações de rua ligadas ao bolsonarismo.

Em resposta, o novo dirigente afirmou que pretende fortalecer a direita em Sergipe e ampliar a presença do grupo no estado. O discurso reforça o alinhamento ideológico com pautas nacionais do partido e a estratégia de mobilização de jovens eleitores.

O episódio que levou à denúncia

O caso que levou Flávio à condição de réu ocorreu durante um ato político ligado à campanha da então candidata à prefeitura de Aracaju, Candisse Carvalho (PT). Segundo denúncia do Ministério Público, ele estava em um carro com outros ocupantes quando o grupo teria provocado tumulto ao lançar uma carteira de trabalho contra manifestantes.

Na sequência, o veículo avançou e atingiu um dos participantes do ato, identificado como Charles Silva, que foi arrastado e sofreu ferimentos graves, incluindo fratura na tíbia. A investigação foi conduzida pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que apontou indícios suficientes para o enquadramento por tentativa de homicídio qualificado.

Defesa e posicionamento

Flávio nega responsabilidade direta pelo atropelamento e sustenta que não conduzia o veículo no momento do ocorrido. Em declarações públicas, afirmou que o grupo foi cercado e agredido por manifestantes, alegando ter agido em meio a uma situação de risco.

Sem condenação até o momento, ele invoca o princípio da presunção de inocência para legitimar sua atuação política. O caso segue em tramitação na Justiça de Sergipe, enquanto sua nomeação ao cargo partidário evidencia a convivência entre disputas judiciais e a projeção dentro de estruturas políticas locais.

Procuradas, as direções estadual e nacional do PL não se manifestaram sobre a escolha.

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