Gabriel Utrini da Veiga Carvalho Silva, réu pela tentativa de homicídio de um homem em situação de rua no Rio, teria oferecido R$ 2,5 mil para que Miguel Felipe dos Santos Guimarães da Silva e um adolescente executassem o ataque, segundo denúncia do Ministério Público do Rio (MPRJ). A vítima estava dormindo em uma calçada de Jacarepaguá, na Zona Sudoeste, quando foi atingida por coquetéis molotov em fevereiro de 2025.
Além de Gabriel, Miguel Felipe também responderá a júri popular pela tentativa de homicídio. Ludierley Satyro José, então com 46 anos, sofreu queimaduras de terceiro grau em 60% do corpo. O ataque foi transmitido ao vivo pelo Discord e registrado em imagens que passaram a integrar a investigação.
Na decisão que manteve as prisões preventivas, a juíza Lucia Mothe Glioche ressaltou a repercussão provocada pela transmissão do ataque e classificou os crimes atribuídos aos réus como de “extrema gravidade”.
“Os crimes descritos na denúncia e imputados aos acusados são de extrema gravidade e geraram, na cidade do Rio de Janeiro e, quiçá, em todo o País, grande repercussão. A transmissão, em tempo real, do crime fez com que ele chegasse ao conhecimento de muitos”, diz a decisão.
A magistrada também apontou que a soltura dos acusados poderia transmitir uma sensação de impunidade e favorecer a repetição de ataques semelhantes contra pessoas em situação de rua.
Como aconteceu o ataque
Imagens reunidas pela investigação mostram o adolescente, então com 17 anos, preparando os artefatos incendiários e lançando-os contra Ludierley enquanto ele estava deitado na calçada. Miguel aparece filmando a ação.
Depois de ser atingido, Ludierley correu pela rua em meio às chamas e tentou apagar o fogo. Em determinado momento, tirou a roupa para tentar interromper as queimaduras.
A investigação aponta que Gabriel não teria participado diretamente da execução, mas estaria envolvido na preparação da ação. Conforme a denúncia do MPRJ, ele teria oferecido dinheiro para que Miguel e o adolescente realizassem o ataque.
O adolescente foi apreendido e Miguel acabou preso nos dias seguintes. Gabriel também teve a prisão mantida pela Justiça.
Grupo na internet
A polícia identificou os envolvidos em um grupo na internet que, segundo os investigadores, reunia conteúdos de ódio e apologia ao nazismo. Uma das linhas investigativas foi a de que o ataque teria sido realizado como um desafio dentro desse ambiente virtual.
Na fase inicial do caso, a polícia trabalhava com a informação de que havia uma recompensa de aproximadamente R$ 2 mil pelo ataque.
As imagens chegaram à Delegacia da Criança e Adolescente Vítima (DCAV) poucas horas depois do crime. A unidade acionou o Laboratório de Operações Cibernéticas do Ministério da Justiça para ajudar a identificar os participantes.
Familiares do adolescente reconheceram o jovem nas gravações e procuraram a Delegacia do Tanque. A partir daí, a investigação avançou até a identificação de todos os envolvidos.
Situação dos réus
Além da tentativa de homicídio, Gabriel e Miguel são acusados de associação criminosa e corrupção de menor. O adolescente responde por ato infracional equivalente à tentativa de homicídio triplamente qualificada.
No celular do adolescente, os investigadores também encontraram imagens de abuso sexual infantil, segundo a acusação.
O Discord afirmou, na época do caso, que adota tolerância zero para conteúdos relacionados a discurso de ódio e violência. A plataforma informou que removeu as contas envolvidas, encerrou o servidor utilizado pelo grupo e comunicou o caso às autoridades.
A reportagem não conseguiu localizar a defesa dos citados, o espaço segue aberto para eventuais manifestações.







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