Resgates no mar de Copacabana durante Réveillon foram quase 20 vezes maiores do que no ano passado

Resgates disparam na virada do ano, impulsionados por ressaca e desrespeito às orientações

Os guarda-vidas do Corpo de Bombeiros tiveram uma das viradas de ano mais intensas dos últimos tempos nas praias da Zona Sul do Rio. Entre a quarta-feira e as 6h desta quinta-feira (01), o número de resgates realizados na orla foi quase 20 vezes maior do que o registrado no mesmo período do ano anterior, evidenciando o impacto das condições adversas do mar durante o Réveillon.

Ao todo, foram contabilizados 547 salvamentos apenas na área do Leme e de Copacabana, trecho sob responsabilidade do 3º Grupamento de Salvamento Marítimo (Gmar), que se estende até São Conrado. No ano passado, no mesmo intervalo de tempo, haviam sido registrados apenas 29 resgates, segundo dados oficiais da corporação.

Mar agitado e alertas ignorados

De acordo com o Corpo de Bombeiros, a principal explicação para o salto expressivo no número de ocorrências está no estado do mar, que apresentava ressaca e correntes fortes. Apesar dos alertas emitidos previamente, muitos banhistas ignoraram as orientações de segurança.

“Isso se explica pelas condições do mar. Fizemos vários alertas. Mas, infelizmente, a população não colaborou com as orientações do Corpo de Bombeiros”, afirmou o tenente-coronel Fabio Contreiras, porta-voz da corporação, ao divulgar o balanço das operações.

Para dar conta da demanda, a operação especial mobilizou mais de 250 embarcações no mar e 20 postos de guarda-vidas distribuídos ao longo da faixa de areia. Ao todo, 170 militares atuaram diretamente no atendimento à população, realizando resgates, orientações preventivas e primeiros socorros.

Postos com mais ocorrências

O Posto 8, nas proximidades do Arpoador, concentrou o maior número de salvamentos durante a virada do ano. Na sequência, aparecem o Posto 1, no Leme, e o Posto 3, localizado próximo ao Copacabana Palace, onde estava montado o palco principal da festa de Réveillon.

A grande circulação de pessoas, somada à combinação de mar agitado e consumo de álcool, contribuiu para o aumento dos riscos, segundo avaliação dos bombeiros. Em muitos casos, os resgates envolveram banhistas que subestimaram a força das ondas ou entraram no mar em áreas sinalizadas como perigosas.

Busca por jovem desaparecido

Entre as ocorrências registradas, o caso mais grave envolve um menino de Campinas que estava com a família no Posto 2. Segundo os bombeiros, a criança brincava na areia quando foi surpreendida por uma onda, arrastada e levada pelo mar.

As buscas continuaram ao longo desta quinta-feira, com equipes especializadas atuando tanto na água quanto na faixa de areia. Mergulhadores foram mobilizados desde o primeiro momento para tentar localizar a criança.

“A gente fez um grande trabalho nessas últimas 24h, com mergulhadores atuando no ponto exato onde falaram que ele desapareceu. Nossa técnica inicia sempre nesse momento, no último local onde a pessoa foi vista e, passadas as 24h, a gente aumenta esse raio”, explicou o porta-voz do Corpo de Bombeiros.

A corporação reforçou o alerta para que banhistas respeitem as sinalizações, evitem entrar no mar em condições adversas e sigam as orientações dos guarda-vidas, especialmente em períodos de grande movimento, como feriados e eventos de grande porte.

O resgate segue nesta sexta (02).

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