A cobrança pela instalação da CPI do Feminicídio voltou ao plenário da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). A deputada Renata Souza (Psol) criticou a demora para a abertura da investigação e, ao falar sobre mortes de mulheres no estado, citou São Gonçalo, principal reduto eleitoral do presidente da Casa, Douglas Ruas (PL), que disputa o Governo do Rio.
Segundo Renata, o requerimento para a criação da CPI já obteve o número necessário de assinaturas, mas a comissão ainda não foi instalada. Em discurso no plenário esta semana, a parlamentar questionou a condução do tema pela direção da Assembleia.
“O pedido que nós entramos aqui de CPI do Feminicídio com as assinaturas necessárias para que aberta. Infelizmente, nem a Casa e nem a Presidência da Casa entenderam que se trataria de uma prioridade”, afirmou.
São Gonçalo entra no discurso
Ao cobrar medidas para enfrentar a violência contra as mulheres, Renata mencionou especificamente São Gonçalo. O município é a base política de Douglas Ruas, atual presidente da Alerj e candidato ao Governo do Estado. A deputada afirmou que mortes de mulheres também ocorrem na cidade e questionou quais medidas estão sendo tratadas como prioritárias para prevenir esses crimes.
“Ao final do dia teremos pelo menos cinco mulheres mortas neste país, e muitas delas aqui no estado do Rio de Janeiro, inclusive na cidade de São Gonçalo. Então, onde é que está a prioridade quando falamos de enfrentamento à violência contra as mulheres, de prevenção ao feminicídio e de atuação concreta com políticas públicas que assegurem a vida plena das mulheres na nossa sociedade?”, questionou.
Cobrança após o Agosto Lilás
Renata também relacionou a demora na instalação da CPI ao encerramento do Agosto Lilás, período dedicado à conscientização e ao enfrentamento da violência contra a mulher. Para a deputada, as discussões realizadas durante o mês precisam ser acompanhadas de ações concretas.
Ela também criticou a baixa presença feminina nos espaços de poder e relacionou essa sub-representação à capacidade das instituições de definir prioridades. “Quando falamos de mulheres em todos os lugares não adianta ser um discurso bonito para fora, mas que não age concretamente para mudar esse quadro”, afirmou.
Renata citou ainda dados sobre a presença de mulheres nos parlamentos. Segundo a deputada, elas representam cerca de 17% do Parlamento brasileiro, percentual inferior ao registrado em outros países da América Latina e do Caribe.
Emprego para vítimas de violência
Outro ponto levantado pela deputada foi a autonomia financeira das mulheres vítimas de violência. Renata afirmou que um levantamento realizado por meio da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher identificou falta de recursos destinados pela área estadual de Trabalho a políticas de emprego e renda especificamente voltadas a esse público. A dependência econômica, avaliou, pode dificultar o rompimento com relacionamentos abusivos.
“Se a gente muitas vezes fala que essas mulheres são colocadas numa espiral de violência justamente porque às vezes dependem financeiramente desse agressor, um emprego para essa mulher faria toda a diferença e garantiria que ela saísse dessa espiral de violência”, disse.







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