Instalado na Rua Augusto Severo, no Rio de Janeiro, o Relógio da Glória é um ícone da cidade que, há 120 anos, marca a paisagem da Zona Sul com seu charme histórico. Tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac), o relógio de quatro faces, com algarismos romanos, permanece sobre uma coluna de granito esculpida e preserva seu mecanismo original até hoje. Para celebrar o aniversário da peça, a Secretaria Municipal de Conservação (Seconserva) concluiu, nesta semana, um serviço de manutenção que incluiu limpeza, pintura, revisão na caixa de ferro fundido e reparos no mecanismo.
O responsável pela manutenção do Relógio da Glória há 25 anos é José Mendes Neto, de 63 anos, técnico especializado em restauro de relógios. Ele herdou a profissão de seu pai, o português Manoel Francisco Mendes, que, ao chegar ao Brasil, trabalhou gratuitamente em uma relojoaria para aprender o ofício. Mendes revela que, ao contrário de muitos outros relógios públicos da cidade, o Relógio da Glória funciona sem programação eletrônica. “No ato de dar corda, nós colocamos uma chave num eixo e suspendemos o peso de cerca de 60 quilos, acionando a corda por intermédio de um cabo de aço. O relógio tem autonomia de quatro dias”, explica.
O relojoeiro conta que, embora a manutenção envolva o uso de técnicas tradicionais, o trabalho nunca deixa de surpreender. “Uma vez, uma barata entrou na engrenagem e fez o relógio parar”, lembra Mendes, que também cuida de outros relógios históricos no Rio, como os da Fiocruz e da Ilha Fiscal. Ele destaca que o Relógio da Glória é o único relógio público na cidade que mantém o mecanismo original. Outros relógios, como os do Largo da Carioca e no Méier, foram modernizados com máquinas eletrônicas.
Para Diego Vaz, secretário municipal de Conservação, o relógio vai além de um simples equipamento. “É um símbolo de identidade, de pertencimento, e um marco da urbanização moderna da cidade. Restaurar o Relógio da Glória é devolver ao carioca um pedaço da sua própria história”, afirma.
Inaugurado em 15 de abril de 1905, o Relógio da Glória foi parte de um conjunto de melhorias urbanísticas promovidas pelo prefeito Pereira Passos, que visava modernizar a cidade. O relógio, com material francês e máquina instalada pelo relojoeiro alemão Frederich Krussman, era um símbolo da transformação que o Rio passava na virada do século.
O Relógio da Glória, ainda de pé após mais de um século de mudanças, continua sendo um testemunho da história carioca e um símbolo da resistência de um patrimônio que se recusa a ser esquecido.
Com informações do Extra.





