Relatora da CPI das Bets recebe ameaças a passa a andar com segurança armada

Senadora Soraya Thronicke firma ter sido intimidada antes de pedir o indiciamento de 16 pessoas; clima de tensão envolve acusações contra Ciro Nogueira e sabotagem dos trabalhos

A senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS), relatora da CPI das Bets, declarou que sofreu ameaças nos dias que antecederam a apresentação de seu relatório final, em que pediu o indiciamento de 16 pessoas, entre empresários, influenciadores digitais e donos de casas de apostas. Em entrevista à coluna do Metrópoles, Soraya afirmou que o ambiente político da comissão se tornou hostil e perigoso, a ponto de afetar sua rotina até dentro do Congresso.

“Recebi ameaças veladas e ligações. Levaram mensagens de que eu estava mexendo com gente perigosa, com mafiosos, tentaram me chantagear com dossiês”, relatou a parlamentar.

Ela conta que, por segurança, passou a adotar medidas preventivas no dia a dia: “Não tomo mais nem água nem café que venham de dentro do Senado. Estou andando com segurança armada até os dentes.”

A senadora disse ainda que registrou as ameaças em atas notariais e formalizou denúncia à Polícia Federal. Apesar de não revelar publicamente os responsáveis, deixou pistas sobre suas suspeitas. “Se cair uma unha minha, de alguém da minha família ou de alguém da minha equipe, sei de quem é a culpa. Não vou dizer quem foi, mas, se analisar quem assinou pela abertura da CPI, quem virou membro e quem a sabotou, você saberá quem me caluniou e me difamou.”

Soraya afirmou que, apesar da rejeição ao seu parecer final pelos membros da CPI, vai encaminhar as conclusões do trabalho para a Procuradoria-Geral da República (PGR) e para a própria PF. “Farei deste limão uma belíssima limonada. A rejeição dos membros da CPI demonstra quem está a favor dos brasileiros. A vergonha é alheia, é deles. Meu dever é levar todas as informações para a Procuradoria-Geral da República e a Polícia Federal.”

Desgaste interno e suspeitas de sabotagem

Nos bastidores, Soraya acusa o presidente da CPI, senador Dr. Hiran (PP-RR), de ter atuado para esvaziar a comissão. Segundo ela, o senador agia a mando do presidente nacional do PP, Ciro Nogueira, também integrante da CPI. A relatora teria relatado ao senador Fabiano Contarato (PT) que convocações eram feitas de última hora e que parte dos membros se ausentava deliberadamente para impedir o quórum e frear os avanços das investigações.

As tensões se intensificaram após virem à tona informações sobre uma viagem de Ciro Nogueira a Mônaco em um jatinho particular pertencente ao empresário Fernando Oliveira Lima. Investigado pela CPI, Lima foi apontado por Soraya como “um dos principais nomes do setor de apostas online no Brasil”.

A senadora chegou a pedir a exclusão de Ciro da comissão para, segundo ela, “preservar a imparcialidade e a credibilidade dos trabalhos investigativos”. O pedido, no entanto, não foi acolhido.

Em resposta, Ciro Nogueira declarou ao Metrópoles que “senadora acusada de auxiliar lobista de extorquir investigado não tem credibilidade”. O senador, porém, não detalhou a acusação nem apresentou provas.

A CPI das Bets, criada para investigar irregularidades no mercado de apostas esportivas, encerrou seus trabalhos em meio a um clima de embate político, denúncias cruzadas e forte desconfiança entre seus integrantes.

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