Rede pública do Rio acumula 14 mil pacientes na fila por diagnóstico de autismo

Dados da Secretaria Municipal de Saúde apontam milhares de negativas para consultas e avaliações multiprofissionais; parlamentares cobram ampliação da rede

A rede pública do Rio de Janeiro acumula cerca de 14 mil pacientes na fila do Sisreg à espera de avaliação para transtorno do espectro autista (TEA). Os dados, da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), também apontam milhares de negativas para consultas especializadas e avaliações multiprofissionais voltadas à investigação do transtorno. A informação foi publicada pelo G1.

Entre junho e agosto de 2024, mais de 5 mil consultas com neuropediatras deixaram de ser realizadas na rede municipal. No mesmo período, quase 5,5 mil avaliações multiprofissionais para investigação de autismo foram negadas.

As informações foram solicitadas no ano passado pelo então vereador Paulo Pinheiro.

O presidente da comissão especial voltada às políticas para autistas e neurodivergentes na Câmara Municipal do Rio, vereador Paulo Messina, afirmou que os números evidenciam dificuldades estruturais da rede pública para absorver a demanda.

“Não são 5 mil exames, são 5 mil tratamentos. É um tratamento de continuidade”, disse.

Segundo a SMS, as negativas registradas no sistema fazem parte do fluxo de regulação e não retiram os pacientes da fila. A pasta informou que devoluções podem ocorrer por falta de informações nos encaminhamentos ou necessidade de complementação de dados médicos.

O secretário municipal de Saúde, Rodrigo Prado, reconheceu que a demanda reprimida ainda é alta, mas afirmou que houve ampliação da rede especializada nos últimos anos.

“Hoje a gente tem, para avaliação do transtorno de autismo, mais ou menos, 14 mil pessoas aguardando. É um número alto, mas a nossa oferta tem aumentado”, declarou.

Ainda de acordo com a secretaria, o município passou de um para oito centros especializados em atendimento a pessoas com autismo nos últimos dois anos.

“A prefeitura está se estruturando pra isso. Nós temos oito centros, quando há dois anos só tínhamos um. Então a gente está avançando e dando conta desse paciente”, afirmou.

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