Ramagem apela para contestações ao STF em pronunciamento na CCJ 

Ramagem fez um discurso de separação das competências dos poderes

Janaína Lisboa (correspondente em Brasília)

Alvo da votação de um requerimento que pode suspender a ação que o envolve por participação em uma trama golpista, Alexandre Ramagem apelou para o discurso de separação das competências dos poderes, durante seu pronunciamento, nesta quarta-feira, em sessão da CCJ da Câmara. O tema, que será votado nesta quarta, deve representar uma derrota significativa para o governo. Antes mesmo do início da sessão, os governistas viram ser rejeitado um requerimento de retirada de pauta. Na semana passada, um pedido de vista suspendeu a votação, mas o relatório apresentado à CCJ defendeu o trancamento de todo o processo, o que contraria o entendimento do Supremo Tribunal Federal sobre o tema.

Ao falar sobre o tema, Ramagem disse que o parece é “brilhante” e contestou as competências do STF. 

“O parecer está brilhante para esse requerimento de sustação penal. É indiscutível que vivemos uma hipertrofia de um poder sobre o outro, o judiciário sobre o legislativo. Não é apenas o ativismo judicial exacerbado, há uma clara usurpação das nossas competências, inclusive legislativas. Hoje o STF trata os deputados como irrelevantes, mais do que isso, no meu caso, parlamentar eleito, eu estou servindo de joguete de casuísta do STF. O STF precisava colocar um parlamentar nessa ação de trama de golpe”, afirmou.

O tema deve ser judicializado, já que o Supremo já se manifestou contra a extensão da suspensão da ação contra Ramagem para toda a ação penal. Além disso, o STF ressalta que a suspensão da ação só poderia contemplar os atos de Ramagem após a sua diplomação, em 2023. E é aí que os governistas pretendem contestar, já que segundo as investigações, alguns dos atos criminosos teriam ocorrido antes mesmo dele se tornar deputado federal. Na semana passada, o líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias, fez um pronunciamento veemente sobre a questão.

Contudo, a expectativa é de derrota no plenário da CCJ. O requerimento apresentado pelo PL pede que a Casa trave a ação, que além do parlamentar tem como réus o ex-presidente Jair Bolsonaro e mais sete pessoas.

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