Racismo em escolas de Niterói leva deputada do Psol a acionar MP, Polícia Civil e órgãos públicos pedindo providências

Deputada Renata Souza afirmou que ‘as escolas são privadas, mas o combate ao racismo é questão de interesse público’

Após reunião com a mãe de dois adolescentes de Niterói que foram vítimas de racismo em duas diferentes escolas particulares, a deputada estadual Renata Souza (PSol-RJ) vai oficiar o Ministério Público Estadual, a Polícia Civil, a Secretaria Estadual de Educação, a Fundação Municipal de Saúde de Niterói e o Conselho Tutelar sobre casos de racismo em instituições privadas do município.

A deputada estuda a realização de uma audiência pública na Alerj sobre educação antirracista. Segundo dados do Instituto de Segurança Pública (ISP), as ocorrências aumentaram quatro vezes neste ano na cidade, em relação a 2023.

A reunião foi motivada pela denúncia de Renata Motta de que seus dois filhos, Gabriela, de 13 anos, e Gabriel, de 15, recentemente sofreram injúria racial em suas escolas. Ela expressou a preocupação da família com o retorno de Gabriel à escola. No caso de Gabriela, o autor das ofensas foi expulso da instituição.

— Estou me sentindo totalmente decepcionada com a escola do meu filho — diz Renata Motta. — Na semana passada, Gabriel foi ouvido na delegacia e pelo conselho tutelar e contou o que estava acontecendo. Eu já alertava a escola sobre o bullying, pois ele tem uma deficiência no olho. A escola sempre respondia que iria ficar atenta, mas não podia se ausentar porque o racismo aconteceu em um grupo de WhatsApp. Meu filho está se sentindo completamente isolado. Começou a se sentir mais leve ao contar o que estava acontecendo, mas não tem tido contato com esses meninos há dez dias. Minha preocupação é como será o retorno, como a escola vai receber meu filho. O Colégio Paulo Freire, da minha filha, foi mais firme no tratamento do caso.

Renata Souza, deputada e autora de um projeto de lei que prevê a criação do Selo Lélia Gonzales, explica por que resolveu intervir, mesmo que os casos tenham ocorrido em instituições particulares:

— As escolas são privadas, mas o combate ao racismo é questão de interesse público. Precisamos garantir que o Estado e a sociedade civil cerquem essa questão por todos os lados. É preciso haver políticas tanto de responsabilização como de educação antirracista em toda a rede escolar. A Lei 10.639, que institui o ensino da cultura e da história de matrizes africanas, deve ser aplicada em todas as escolas.

O objetivo dos ofícios ao MP, à Polícia e às instituições da Prefeitura de Niterói, explica a deputada, é tomar conhecimento das providências já tomadas em relação aos casos. Ao MP, a deputada vai propor o estudo da viabilidade da criação de um protocolo que possa padronizar o tratamento das ocorrências de racismo. Ela também defende a criação de comissões antirracistas nas escolas.

Na semana passada, Renata Motta Valadares denunciou que seus filhos, estudantes de diferentes escolas particulares de Niterói, haviam sido vítimas de racismo. Em um grupo de mensagens do qual Gabriel fazia parte, um colega de colégio enviou uma foto dele com a mensagem:

“Recentemente este animal foi colocado na jaula de um zoológico e foi feita uma pesquisa com os visitantes para tentarem adivinhar qual era o animal na jaula.”

Em outra mensagem, o mesmo garoto escreveu: “Tá parecendo um macaco.”

Já Gabriela, de 13 anos, contou ao g1 que foi defender uma amiga que estava sendo ofendida por um colega, que dizia que ela tinha ‘cabelo de crioulo’, e acabou insultada também.

— Eu perguntei se ele sabia que era crime, ele fingiu que não ouviu e começou a me ofender. Disse que meu cabelo parecia de microfone — contou.

A direção do Colégio Pluz, onde Gabriel estuda, informou que os alunos envolvidos no ocorrido estavam cumprindo suspensão interna, sem contato com o restante da turma, e que fariam um trabalho sobre racismo. O colégio salientou, em nota, que não concorda com a expulsão de alunos e acredita na educação.

No caso do Colégio Paulo Freire, onde Gabriela estuda, o adolescente que a insultou foi expulso. Em nota ao g1, a instituição afirmou repudiar qualquer ato de discriminação e preconceito e salientou que tem uma política de conscientização e educação antirracista.

Renata Valadares espera, com sua atitude de denunciar os episódios, evitar que novos casos aconteçam.

— Minha família decidiu ir em frente na busca de ações que possam mudar essa realidade em que ainda se minimiza muito a gravidade do racismo nas escolas, mesmo todos sabendo que se trata de um crime ou, no caso de adolescentes, de um ato infracional. Nenhuma criança deveria passar por isso — diz Renata Valadares.

Com informações de O Globo.

Mais recentes

Descubra mais sobre Agenda do Poder

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading