Os deputados federais fluminenses Sóstenes Cavalcante e Carlos Jordy, ambos filiados ao Partido Liberal (PL), são alvos de mandados e busca e apreensão na Operação Galho Fraco, deflagrada nesta sexta-feira (19) pela Polícia Federal.
A investigação apura um suposto esquema de desvio de recursos públicos provenientes das cotas parlamentares, mecanismo destinado ao custeio de despesas do mandato.
A ação colocou sob os holofotes dois nomes com trajetórias distintas na política, mas que hoje ocupam posições de destaque na bancada do PL na Câmara dos Deputados.
Sóstenes Cavalcante: liderança no PL e atuação ligada à pauta evangélica
Atual líder do PL na Câmara dos Deputados, cargo que assumiu em fevereiro deste ano, Sóstenes Cavalcante está em seu terceiro mandato como deputado federal. Embora tenha nascido em Maceió (AL), em 1975, o parlamentar associa sua trajetória política ao Rio de Janeiro, especialmente à Baixada Fluminense, região onde mantém sua base eleitoral.
Pastor da Igreja Assembleia de Deus, Sóstenes apresenta formação em Teologia e construiu sua atuação parlamentar ancorada em pautas ligadas à defesa da família, à agenda religiosa e a políticas voltadas a grupos socialmente vulneráveis.
Ao longo dos anos, transitou por diversas comissões da Câmara, chegando a presidir o colegiado que discutiu o Estatuto da Família e a ocupar cargos de vice-presidência em comissões estratégicas.
No plano institucional, também já integrou a Mesa Diretora da Câmara como segundo vice-presidente e liderou a Frente Parlamentar Evangélica no Congresso. Em sua produção legislativa, aparece como autor ou relator de centenas de propostas, incluindo mudanças em regras sobre adoção e conselhos tutelares, além de posicionamentos firmes em temas penais e previdenciários.
Politicamente, Sóstenes se notabilizou por alinhamento a pautas conservadoras e por ter apoiado o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.
Carlos Jordy: segundo mandato e trajetória marcada por embates políticos
No outro eixo da operação está Carlos Jordy, deputado federal em segundo mandato e um dos principais nomes do PL no debate político em Niterói e na Região Metropolitana do Rio.
Nascido em 1982, Jordy iniciou sua trajetória profissional fora da política, passando por empregos no setor de serviços e pelo funcionalismo público, antes de ingressar na vida parlamentar.
Ele foi vereador em Niterói entre 2017 e 2019 e, posteriormente, chegou à Câmara dos Deputados. Em 2024, tentou ampliar sua presença política ao disputar a Prefeitura de Niterói, chegando ao segundo turno, mas acabou derrotado por Rodrigo Neves (PDT-RJ).
A carreira de Jordy é marcada por embates públicos e episódios de repercussão judicial. Em 2021, foi condenado a indenizar o influenciador digital Felipe Neto após declarações que associaram o youtuber a um ataque ocorrido em uma escola em Suzano, em 2019.
Já em 2023, o nome do deputado voltou ao noticiário após um assessor seu se envolver em uma confusão durante um ato simbólico de parlamentares governistas no Senado, após o encerramento da CPI dos Atos Golpistas. Jordy chegou a anunciar a exoneração do servidor, mas depois voltou atrás, alegando que imagens do episódio não confirmariam agressão.
Nas redes sociais ele se manifestou sobre a ação. “Hoje, no aniversário da minha filha, a PF fez busca e apreensão novamente na minha casa por determinação de Flávio Dino. Perseguição implacável”. Assista:
Sobre a operação
Ao todo, sete ordens judiciais estão sendo cumpridas por agentes da Polícia Federal em endereços localizados no Distrito Federal e no estado do Rio de Janeiro.
As medidas foram determinadas pelo STF, que acompanha o caso em razão do foro privilegiado dos parlamentares investigados. A operação desta sexta-feira tem como foco a coleta de documentos, equipamentos eletrônicos e outros materiais que possam reforçar as apurações em curso.
De acordo com a Polícia Federal, a investigação envolve não apenas parlamentares, mas também servidores comissionados e pessoas sem vínculo formal com o poder público, indicando um esquema que ultrapassaria os gabinetes legislativos.
As apurações apontam que agentes políticos, assessores e particulares teriam atuado de forma coordenada para desviar recursos públicos e, posteriormente, ocultar a origem do dinheiro. O foco está no uso irregular de verbas provenientes das cotas parlamentares, mecanismo destinado a custear despesas do exercício do mandato.






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