‘A bala tá comendo’: as últimas mensagens da ‘Japinha do CV’ antes de ser morta em megaoperação no Rio

Larice de Paula, também conhecida como Penélope e Musa do Crime, relatou cerco policial a uma amiga pelo WhatsApp

“Eles tão aqui em cima de nós. A bala tá comendo. Helicóptero tá aqui rodando”. Esta foi uma das últimas mensagens enviadas por Larice de Paula, a “Japinha do CV”, a uma amiga durante o confronto na megaoperação de terça-feira (28).

Dois dias após a morte da jovem, o portal Metrópoles revelou a conversa pelo WhatsApp. Japinha e a amiga chegaram a fazer uma chamada de vídeo de três minutos, antes de Larice relatar o cerco policial por texto.

Preocupada, a amiga respondeu: “Fica onde você tá, para de maluquice. Tá seguro aí?”. Pouco tempo depois, Penélope — outro de seus apelidos — foi morta com um tiro de fuzil na cabeça.

Reprodução / Metropoles

Fama de ‘musa’ nas redes

Conhecida também como Musa do Crime, Larice era apontada pela polícia como uma das principais combatentes do Comando Vermelho (CV) nos complexos do Alemão e da Penha. Segundo os agentes, ela era considerada figura de confiança da liderança da facção e atuava na linha de frente, protegendo rotas de fuga e defendendo pontos estratégicos do tráfico.

Nas redes sociais, ela aparecia ostentando, empunhando fuzis e usando roupas militares, o que rendeu apelidos que circulavam em perfis ligados ao crime. As imagens, amplamente compartilhadas após a operação, ajudaram a consolidar a imagem da mulher dentro do CV como uma das combatentes de frente do tráfico na região.

A morte de Japinha ocorreu durante a maior e mais letal operação policial já registrada no estado. Segundo a polícia, ela morreu em confronto com agentes, sendo atingida no rosto, usando roupa camuflada.

Ainda nesta quinta-feira (30), familiares de Penélope pediram que imagens do corpo não fossem divulgadas, afirmando que a exposição tem causado sofrimento à família. “Pessoal, aqui é a irmã da Penélope. […] Por favor parem de postar as fotos dela morta, eu e minha família estamos sofrendo muito”, escreveu a irmã da jovem nas redes sociais, pedindo respeito ao luto.

Operação mais letal do RJ

A ação, batizada de Operação Contenção, mobilizou cerca de 2,5 mil agentes das polícias Civil e Militar, além de promotores do Gaeco, com o objetivo de desarticular bases logísticas do Comando Vermelho e conter a expansão territorial da facção. 

De acordo com o balanço oficial do governo fluminense, a operação resultou em 121 mortos. Desses, 54 corpos foram achados no dia da ação policial, enquanto outros 63 foram encontrados por moradores em uma região de mata do Complexo da Penha na madrugada seguinte, na quarta-feira (29), sendo levados para uma praça local. 

O total de mortos inclui ainda quatro policiais: os civis Marcus Vinícius Cardoso de Carvalho, de 51 anos — conhecido como Máskara, recém-nomeado chefe de investigação da 53ª DP (Mesquita) — e Rodrigo Velloso Cabral, de 34 anos, da 39ª DP (Pavuna); e os sargentos do Bope Cleiton Serafim Gonçalves, de 42 anos, e Heber Carvalho da Fonseca, de 39 anos.

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