Quem é Márcia Gama, mãe de Oruam e mulher de Marcinho VP, presa em operação da PF

Empresária de 50 anos foi presa nesta segunda (19), junto com o filho Lucas Nepomuceno, em ação contra o monopólio de internet atribuído ao CV; ela já havia sido alvo de outras investigações neste ano

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Uma operação da Polícia Federal contra o monopólio de serviços de internet atribuído ao Comando Vermelho (CV) prendeu nesta segunda-feira (19) a empresária Márcia Gama dos Santos Nepomuceno, de 50 anos. Mãe do trapper Oruam e mulher de Marcinho VP, apontado como uma das principais lideranças da facção, ela está entre os alvos da Operação Backbone.

A ação também prendeu seu filho Lucas Santos Nepomuceno, conhecido como Lucca, e o vereador do Rio Fábio Silva (Podemos). A investigação apura o controle de provedores de internet nos complexos do Alemão, da Penha e do Chapadão e o uso de empresas para lavar dinheiro.

Carioca, Márcia passou parte da vida no Complexo do Alemão, na Zona Norte. Nas redes sociais, onde acumula quase 500 mil seguidores, publica registros familiares, mensagens religiosas e atividades físicas, como corrida e surfe, além de divulgar seus empreendimentos.

Negócios e religião nas redes sociais

Um dos serviços oferecidos pela empresária é a higienização e conservação de tênis e outros calçados, atividade que apresenta como “personal wash”. Ela publica vídeos sobre o trabalho e também investiu no comércio de roupas femininas, com a loja MMorena, na Penha.

Evangélica, Márcia atribui à fé um papel importante na criação dos filhos e no enfrentamento das dificuldades durante o período em que o marido esteve preso. Em dezembro de 2025, lançou o livro “Fé com Reflexão”, inspirado em experiências pessoais.

Além de Oruam e Lucas, é mãe da cantora gospel Débora Gama. Em entrevistas, já relatou dificuldades para visitar Marcinho VP no sistema penitenciário federal, como os custos das viagens e a distância entre os estados.

Prisão em 2010 e outras investigações

Márcia já havia sido presa em 2010, sob suspeita de ocultação e lavagem de dinheiro proveniente do tráfico de drogas. Na ocasião, passou cerca de cinco meses encarcerada.

Em março deste ano, foi alvo da Operação Contenção Red Legacy, da Polícia Civil. Os investigadores atribuíram a ela um possível papel na comunicação entre integrantes presos do Comando Vermelho e pessoas em liberdade, além da intermediação de interesses da facção. Márcia não foi localizada durante a ação.

Em abril, voltou a ser alvo de uma investigação sobre a movimentação financeira do CV. O mandado de prisão expedido naquele episódio foi posteriormente revogado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).

O que a PF investiga agora

Na Operação Backbone, a PF apura um esquema em que traficantes impediam a atuação de operadoras concorrentes e obrigavam moradores e comerciantes a contratar provedores autorizados pela facção. Segundo os investigadores, o grupo cortava cabos, incendiava equipamentos e impedia reparos.

As empresas pagariam uma tarifa mensal para operar nos territórios. Registros contábeis analisados pela polícia indicam que, em um único mês, a cobrança pelo serviço representou mais de 40% da arrecadação do grupo no Complexo da Penha.

A PF afirma que Marcinho VP continuava a controlar essas atividades empresariais mesmo preso, em conjunto com familiares e outras lideranças. Segundo a investigação, os recursos passavam por empresas e operadores financeiros e eram ocultados em negócios, imóveis e criptoativos.

A Justiça expediu 23 mandados de prisão preventiva e 24 de busca e apreensão, além de determinar o bloqueio de até R$ 558 milhões em bens e valores. Os textos divulgados até aqui não detalham a conduta individual atribuída a Márcia nessa operação.

A reportagem não conseguiu localizar a defesa dos investigados. O espaço permanece aberto e será atualizado em caso de eventual manifestação.

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