Uma operação da Polícia Federal contra o monopólio de serviços de internet atribuído ao Comando Vermelho (CV) levou à prisão do vereador do Rio Fábio Silva (Podemos) nesta segunda-feira (19). O parlamentar foi localizado em Londrina, no Paraná. A ação também prendeu Márcia Gama Nepomuceno e Lucas Santos Nepomuceno, mãe e irmão do trapper Oruam.
Fábio é apontado na investigação como dono e beneficiário de provedores de internet investigados pela PF. No domingo (18), o vereador chegou a publicar imagens nas redes sociais em viagem por Londrina, acompanhado da mulher e do filho, a caminho de um casamento. Ele foi preso no dia seguinte.
A Operação Backbone apura a atuação de empresas que, segundo os investigadores, exploravam o serviço nos complexos do Alemão, da Penha e do Chapadão sob imposição da facção e eram usadas para lavar dinheiro.
Vereador foi eleito em 2024
Natural de João Pessoa, na Paraíba, o vereador foi eleito em 2024 com 15.846 votos e assumiu a cadeira no Palácio Pedro Ernesto no ano seguinte. Na biografia publicada no site da Casa, apresenta-se como empresário, gestor comunitário da Zona Norte e embaixador do projeto Onda Carioca, no Complexo do Chapadão.
No Legislativo municipal, o vereador de primeiro mandato ocupa a vice-presidência de duas comissões desde o ano passado: Assistência Social e Abastecimento, Indústria, Comércio e Agricultura. O parlamentar assina, como autor ou coautor, 77 projetos de lei em tramitação e já apresentou mais de 760 moções. Não possui, atualmente, nenhuma lei de sua autoria em vigor.
Na eleição de 2024, declarou à Justiça Eleitoral um patrimônio de R$ 1.618.612. A maior parcela, de R$ 1 milhão, correspondia a uma participação societária de 50% em uma empresa. A declaração também incluía outros bens e direitos, como créditos decorrentes da venda de cotas empresariais e herança.
Operação investiga imposição de serviço de internet a moradores
A Operação Backbone foi deflagrada para cumprir 23 mandados de prisão preventiva e 24 de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A Justiça também determinou o bloqueio de até R$ 558 milhões em bens e valores, alcançando 40 pessoas físicas e 42 empresas.
Segundo a PF, integrantes da facção cortavam cabos, incendiavam equipamentos de operadoras concorrentes e impediam reparos para obrigar moradores e comerciantes a contratar os provedores autorizados pelo grupo. Essas empresas pagariam uma tarifa mensal para operar nos territórios.
Registros contábeis encontrados pelos investigadores indicam que, em um único mês, a cobrança pelo serviço de internet representou mais de 40% da arrecadação da facção no Complexo da Penha.
Agenda do Poder tenta contato com a defesa de Fábio Silva. O espaço está aberto para manifestação.







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