Com a chegada do Mounjaro ao mercado brasileiro, crescem as comparações entre os medicamentos mais populares para emagrecimento — especialmente em relação ao Wegovy e ao Ozempic. Segundo reportagem do portal G1, um novo estudo apresentado neste domingo (11) no Congresso Europeu de Obesidade (ECO) e publicado simultaneamente no New England Journal of Medicine indica que a tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro, é mais eficaz para perda de peso do que a semaglutida, substância usada nos demais remédios.
A pesquisa, nomeada SURMOUNT-5, acompanhou 751 pacientes dos Estados Unidos e de Porto Rico por um período de 72 semanas. Todos apresentavam obesidade ou sobrepeso, além de ao menos uma comorbidade, como hipertensão, apneia do sono ou dislipidemia. Os resultados foram contundentes: os participantes tratados com tirzepatida perderam, em média, 22,8 kg — uma redução de 20,2% do peso corporal — contra 15 kg, ou 13,7%, entre aqueles que usaram semaglutida. Isso representa uma diferença relativa de 47% a favor do Mounjaro.
Além da média de perda de peso, a tirzepatida apresentou desempenho superior em outros indicadores. Cerca de 64,6% dos pacientes que usaram Mounjaro perderam ao menos 15% do peso corporal, enquanto apenas 40,1% dos que tomaram semaglutida atingiram esse mesmo marco. Houve também uma redução média de 18,4 cm na circunferência abdominal com a tirzepatida, contra 13 cm com a semaglutida.
No Brasil, no entanto, ainda não estão disponíveis as doses mais elevadas de tirzepatida usadas no estudo (10 mg e 15 mg). Segundo a farmacêutica Eli Lilly, fabricante do Mounjaro, neste primeiro momento o país contará apenas com as doses de 2,5 mg e 5 mg — indicadas para o tratamento inicial do diabetes tipo 2, única aprovação atual da Anvisa.
Luiz André Magno, diretor médico sênior da Eli Lilly do Brasil, destacou a relevância do novo estudo para o tratamento da obesidade. “Temos mais de um bilhão de pessoas que vivem com obesidade no mundo e, no Brasil, um em cada quatro adultos têm obesidade. Essa doença crônica é um grande desafio de saúde pública — temos estudos que mostram mais de 200 complicações relacionadas. Por isso, novos tratamentos com resultados tão positivos são importantes para contribuir para a vida de quem convive com essa doença tão prevalente”, afirmou Magno em nota.
Os efeitos colaterais relatados foram semelhantes nos dois grupos, principalmente relacionados ao trato gastrointestinal, com intensidade leve a moderada. A taxa de descontinuação do tratamento por efeitos adversos foi de 6,1% entre os usuários de tirzepatida e de 8% entre os de semaglutida. Apesar disso, o estudo não foi desenhado para comparar a segurança dos medicamentos.
Ambas as substâncias simulam o hormônio GLP-1, responsável por aumentar a produção de insulina, retardar a digestão e estimular a saciedade. A diferença está no alcance: a semaglutida é um agonista simples de GLP-1, enquanto a tirzepatida é um agonista duplo — além do GLP-1, ela também imita o GIP, outro hormônio intestinal ligado à regulação metabólica.
O futuro dos tratamentos ainda reserva mais avanços. A Eli Lilly já desenvolve um novo medicamento experimental, a retatrutida, que atua como triplo agonista: além de GLP-1 e GIP, também simula o hormônio GCC. Ensaios clínicos preliminares indicam que essa nova geração pode alcançar resultados ainda mais expressivos no combate à obesidade.





