O presidente da Rússia, Vladimir Putin, citou nesta quinta (5) o Brasil, a China e a Índia como potenciais mediadores para uma negociação de paz entre seu país e a Ucrânia.
Falando no Fórum Econômico Oriental, em Valdivostok (Extremo Oriente russo), Putin mudou o tom que vinha adotando desde que as forças de Volodimir Zelenski promoveram uma invasão do sul da Rússia, na região de Kursk.
Antes, Putin dizia que a ação visava forçar os russos a negociar, o que não iria ocorrer. Agora, o líder afirmou que a incursão falhou em drenar energia de suas forças dentro da Ucrânia, o que é fato: a Rússia avança cada dia mais na região de Donetsk, leste do país invadido.
A mudança retórica não é ampla: Putin voltou a dizer que nunca se recusou a negociar, dentro de seus termos conhecidos, que incluem a aquisição das áreas que decretou anexadas na Ucrânia e a neutralidade militar do rival. Kiev, por óbvio, não topa.
A citação explícita aos parceiros russos no grupo Brics, que inclui também a África do Sul, é estratégica e remete às negociações promovidas primariamente pela China antes do ataque a Kursk. Nas semanas anteriores ao 6 de agosto, houve intensa movimentação de diplomatas de Pequim, e tanto Moscou quanto Kiev sinalizaram aceitar conversar.
A avaliação de Putin no campo militar é correta. “O objetivo do inimigo era nos fazer nervosos e preocupados, transferindo tropas de um setor para outro para parar nossa ofensiva em áreas chaves, principalmente no Donbass [nome histórico da área de Donetsk e a vizinha Lugansk]. Deu certo? Não”, afirmou.
“Ao transferir unidades algo grandes e bem treinadas para as áreas de nossa fronteira, o inimigo se enfraqueceu em áreas centrais, e nossas forças aceleraram as operações ofensivas. Nenhuma ação está ocorrendo para conter nossa ofensiva”, disse, sobre o avanço contra o centro logístico de Pokrovsk, em Donetsk.
A crise e pressão renovada em ataques aéreos acelerou a queda de metade do governo de Zelenski, na quarta (4). O presidente disse que precisa de “nova energia” para lidar com a guerra.
Nesta quinta, o Ministério da Defesa russo anunciou a conquista de mais uma cidade na região. O dia registrou também uma pausa na campanha aérea renovada por Putin desde a semana passada, que teve na terça (3) um auge com o ataque com mísseis contra uma academia militar, deixando 51 mortos.
Com informações da Folha de S. Paulo.





