O PT decidiu orientar dirigentes, parlamentares e militantes a adotarem cautela ao comentar o caso envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro. A estratégia da legenda é evitar ataques pessoais e exageros, concentrando a comunicação apenas em fatos já tornados públicos, segundo Poder360.
A recomendação partiu da Secretaria de Comunicação do partido após a repercussão dos áudios divulgados pelo Intercept Brasil, nos quais Flávio aparece cobrando repasses milionários destinados à produção do filme Dark horse, obra sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Depois de inicialmente negar qualquer relação financeira com Vorcaro, o senador reconheceu o pedido de recursos.
O coordenador de comunicação do PT, Éden Valadares, afirmou que a orientação é evitar narrativas que possam alimentar acusações de perseguição política. “Não precisa criar adjetivos, salgar, exagerar, nada disso. Só a verdade sobre Flávio Bolsonaro”, declarou.
Segundo o dirigente, o partido pretende reforçar que as apurações estão seguindo um curso institucional, sem interferência do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “O maior inimigo de Flávio Bolsonaro é a verdade. Basta a gente apresentar ao Brasil quem é ele”, afirmou Valadares.
Mudança de estratégia no PT
Nos bastidores, integrantes do partido avaliam que o caso abriu uma oportunidade política para ampliar o desgaste do pré-candidato bolsonarista. O presidente do PT de São Paulo, deputado federal Kiko Celeguim, disse que a militância vinha cobrando uma postura mais incisiva da legenda.
“Esse é um fato novo. Isso era uma laranja entalada na garganta da nossa militância”, afirmou o parlamentar. Segundo ele, setores da direita e parte da imprensa tentaram relacionar o escândalo ao governo federal. “Essa é a prova de que, na verdade, o governo do presidente Lula desbaratou essa quadrilha”, declarou.
Dirigentes petistas também passaram a destacar contradições nas declarações de Flávio Bolsonaro. Entre os pontos citados estão a negativa inicial sobre conhecer Vorcaro, seguida pela admissão da relação, além da mudança de versão sobre o financiamento do filme.
Outro episódio resgatado por integrantes do partido foi o caso da “rachadinha” na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, investigação envolvendo Fabrício Queiroz que acabou arquivada em 2022.
Pressão por CPI e medidas judiciais
A ofensiva política ganhou força nas redes sociais. Em menos de 24 horas após o vazamento dos áudios, o perfil oficial do PT no Instagram publicou diversos conteúdos sobre o caso, incluindo vídeos, cards e mensagens direcionadas ao episódio. Uma das publicações reproduziu o versículo bíblico de Lucas 8:17: “Não há nada oculto que não venha a ser revelado”.
Cresce pressão por criação de CPI
Paralelamente, o partido intensificou a pressão pela criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar o caso envolvendo o Banco Master e Daniel Vorcaro. O presidente nacional do PT, Edinho Silva, admitiu que o partido errou ao não aderir inicialmente ao pedido de CPI apresentado pela oposição.
Na quarta-feira (14), parlamentares petistas e integrantes da esquerda anunciaram representações à Polícia Federal, à Procuradoria-Geral da República e pedidos de informações à Receita Federal para aprofundar a investigação da relação entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro.
O líder do PT na Câmara, Pedro Uczai, afirmou que advogados da legenda já estudam novas medidas judiciais. Já o deputado Lindbergh Farias anunciou que pretende solicitar à Polícia Federal a prisão preventiva do senador.
Para o advogado Marcos Aurélio de Carvalho, integrante do grupo Prerrogativas e coordenador jurídico da campanha de Lula, o episódio atinge diretamente o núcleo político bolsonarista. “É o escândalo caindo no colo deles, de onde não deveria ter saído nunca”, declarou.





Deixe um comentário